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Dólar ronda R$ 5,60 com temor fiscal impasse sobre pacote fiscal nos EUA

Marcelo Osakabe
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Desempenho também reflete a preocupação ainda latente com o noticiário sobre o Renda Cidadã O alívio trazido ao câmbio com sinais de reaproximação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acabou tendo vida curta. Além das incertezas que continuam a rondar o cenário fiscal de curto prazo no Brasil, a moeda americana acabou ganhando suporte da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de encerrar as negociações do pacote fiscal com democratas. A surpresa com a decisão do republicano fez o dólar, que já havia devolvido a queda superior a 1% durante a manhã, inverter definitivamente o sinal de negociação. Dessa forma, após tocar R$ 5,4842 nas primeiras horas de negociação, a moeda americana encerrou em alta de 0,41%, a R$ 5,5907. Em uma série de mensagens publicadas em seu perfil no Twitter, Trump afirmou ter ordenado o fim das negociações com os democratas. Elas agora esperariam o fim das eleições para serem retomadas. Ao mesmo tempo, ele indicou aos republicanos que foquem seus esforços para aprovar a nomeação de Amy Conney Barrett para a Suprema Corte. O anúncio também levou o dólar a disparar contra os demais pares, emergentes ou desenvolvidos. No fechamento brasileiro, apenas 4 das 33 divisas mais líquidas do mundo continuavam a operar com ganhos contra a moeda americana. Internamente, a notícia já pegou um mercado receoso com o comportamento dos agentes em Brasília. Participantes de mercado não souberam precisar um motivo claro para a piora do humor, mas este ocorreu em paralelo com a divulgação de algumas notícias que vão na direção contrária do que os gestos apaziguadores dados durante o fim de semana e na noite de ontem pareciam indicar. Segundo apurou o Valor com um integrante da equipe econômica, a definição da fonte de financiamento do Renda Cidadã deve ficar para depois das eleições municipais. Por precisar passar pelo Congresso, a medida teria pouca viabilidade neste momento, teria argumentado o interlocutor. Paralelamente, outro sinal negativo, desta vez de falta de falta de coordenação, correu com o adiamento da sessão o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cancelou a sessão dedicada à instalação da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Alcolumbre foi criticado pelo do centrão deputado Arthur Lira (PP-AL), que o acusou o parlamentar de agir para defender sua própria legenda. Ambos os partidos disputam a presidência da Câmara em 2021. Após a manobra de Alcolumbre, partidos do centrão e a oposição atuaram para derrubar uma sessão na Câmara como forma de pressionar pela instalação da CMO e também pela apreciação da MP que estende, até dezembro, o auxílio emergencial. Nesse ambiente, alguns analistas continuam duvidando do compromisso do governo com o teto. “Embora os mercados tenham se acalmado, nos mantemos céticos quanto a um desfecho positivo e mantemos nossa projeção de que os gastos públicos irão ultrapassar o teto em 2021”, dizem analistas do Citi. “As principais questões que se mantêm são sobre se o governo irá financiar estes gastos com mais impostos e se o governo conseguirá cortar outras rubricas dentro do teto.” Pixabay