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Dólar ronda R$ 5,47 com volta do receio sobre covid-19

Marcelo Osakabe
·3 minutos de leitura

Temores com o ressurgimento dos casos da covid-19 na Europa levaram investidores a voltar a buscar a segurança do dólar O recuperação vacilante das ações nos Estados Unidos e temores sobre o ressurgimento da Covid-19 na Europa mantiveram investidores globais na defensiva nesta terça-feira. Nesse contexto, a moeda americana se fortaleceu contra praticamente todas as demais divisas mais líquidas do mundo, entre elas, o real. Por aqui, o dólar encerrou em alta de 1,29%, a R$ 5,4685. Esta é a primeira vez que o dólar fecha acima de R$ 5,40 no Brasil desde o dia 31 de agosto, quando encerrou em R$ 5,4811. 1,29%, a R$ 5,4685. Com uma ata do Copom sem grandes novidades e ausência de notícias sobre a PEC da PEC do Pacto Federativo e do substituto do Renda Brasil, o cenário doméstico ficou novamente em segundo plano. Após ensaiar uma reversão do movimento registrado na sessão de ontem, o dólar comercial apagou as leves perdas registradas mais cedo e passou a subir rapidamente na última hora de negociação, reagindo ao movimentos dos índices acionários em Nova York, que também voltaram a flertar com o vermelho. O pregão desta terça-feira foi comandado praticamente pelos mesmos temas da véspera, quando uma combinação de tensões políticas nos Estados Unidos, receios sobre o retorno da covid-19 na Europa e denúncias sobre o setor bancário deixou investidores globais na defensiva. Estes fatores continuaram assombrando os mercados. Hoje, os EUA ultrapassaram a marca de 200 mil vítimas do novo coronavírus. Já no Reino Unido, o governo anunciou uma nova leva de medidas de restrição para tentar conter o ressurgimento da doença no país. No cenário local, o viés negativo do exterior se soma às pressões trazidas pelas incertezas fiscais e também pela volatilidade recente do mercado de juros futuros, diz José Faria Junior, diretor da WIA Investimentos. “Se o rendimento dos DIs para janeiro de 2025 romperem a marca de 6,50%, eles rompem a linha de longo prazo de queda das taxas e podem causar uma corrida para fechar posições nesse sentido, o que pode contaminar o câmbio”, diz. Em relação ao noticiário político sobre o substituto do Renda Brasil, o dia acabou novamente sem novidades. Segundo o lider do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), ainda não houve consenso sobre qual será a fonte dos recursos para um programa social mais robusto que deve substituir o Bolsa Família. Gomes disse ainda que as conversas devem se arrastar até a semana que vem. Internamente, os agentes financeiros também assimilam a ata da última reunião do Copom, que não trouxe novidades relevantes em relação ao comunicado da última quarta. Estrategistas do Citi citam, entre os destaques, o reforço de que a Selic está próximo de seu limite efetivo e de que reduções adicionais seriam feitas de forma mais gradual. Sobre o “forward guidance”, os analistas ressaltam que o comitê esclareceu as condições para sua implementação: inflação e expectativas ainda abaixo da meta, regime fiscal inalterado e expectativas de longo prazo ancoradas. “Para o real, a ata foi marginalmente positiva. No entanto, não esperamos nenhum efeito prático sobre a moeda que possa se sobrepor à sua sensibilidade às tendências globais, incluindo, porém não limitando-se, à eleição americana”, escrevem. Pixabay