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Dólar flerta com R$5,10 e vai à mínima em 7 semanas antes de ata do Copom

Notas de dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar emendou o terceiro pregão de queda superior a 1% nesta segunda-feira, fechando no menor patamar em mais de sete semanas, influenciado tanto pelo menor ímpeto da divisa no exterior quanto por repercussões em curso à tese de que o Banco Central encerrou o ciclo de altas de juros.

O dólar negociado no mercado interbancário caiu 1,07%, a 5,1137 reais, menor valor desde 15 de junho (5,0278 reais).

Desde quinta-feira --quando o Banco Central indicou que os juros poderiam parar de subir--, a desvalorização acumulada é de 3,11%. No período, o real tem, com vantagem, a melhor performance quando comparado a seus pares mais próximos.

O BC divulga na terça-feira a ata do Copom, que poderá trazer mais detalhes sobre as intenções da autoridade monetária na política monetária.

Na mínima desta sessão, o dólar recuou a 5,10275 reais (-1,28%).

A moeda brasileira teve um dos melhores desempenhos entre as principais moedas globais nesta sessão de dólar fraco no mundo, tanto pelo alívio em temores de recessão nos Estados Unidos quanto pela expectativa de agentes financeiros com a divulgação de dados de inflação nos EUA nesta semana.

O índice do dólar lá fora cedia 0,23%.

Por aqui, os relatos são de contínuo fluxo de investidores estrangeiros, animados pela perspectiva do fim do ciclo de alta dos juros, que tende a atrair recursos novos para renda fixa e também para a bolsa.

"Houve um fluxo muito grande de estrangeiro nesses últimos dias. A repercussão do mercado ao Copom foi muito boa, mas é difícil saber até quando dura esse movimento", disse Gabriel Cunha, analista de mercados do C6 Bank.

Ele pontuou que nos atuais níveis em torno de 5,10 reais o espaço para queda adicional do dólar deve ficar mais limitado.

"Na nossa cabeça o mais importante continua sendo a variável fiscal no Brasil, é o determinante para o câmbio no médio prazo, e não vemos um cenário benigno, é um cenário ascendente de dívida líquida/PIB", afirmou Cunha, segundo o qual esse fator explica as estimativas mais altas para o dólar: de 5,50 reais no fim de 2022 e 5,80 reais ao término de 2023.

O Rabobank passou a ver dólar de 5,30 reais no encerramento dos dois períodos, contra estimativas anteriores de 5,25 reais (2022) e 5,20 reais (2023).

Os estrategistas Mauricio Une e Renan Alves reconhecem a solidez das contas externas, o que conta ponto a favor do câmbio, mas ressalvam que outros fundamentos permanecem frágeis, especialmente aqueles relacionados à sustentabilidade fiscal.

Outros riscos incluem a desaceleração da economia chinesa, um Fed agressivo na política monetária e as incertezas em torno da política econômica doméstica em ano de eleição.

"Assim, vemos mais espaço para o real se depreciar e permanecer subvalorizado em relação ao seu valor justo ao longo dos próximos meses, recuperando terreno para 5,30 por dólar apenas no fim do ano", disseram em relatório.