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Em 11ª alta seguida, dólar supera R$4,55 e bate novo recorde histórico com atenções a Copom

Por Luana Maria Benedito

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltava a ganhar força nesta quarta-feira, renovando recordes e superando 4,55 reais, na 11ª sessão consecutiva de ganhos, conforme operadores avaliavam os efeitos no câmbio de um eventual novo corte de juros pelo Banco Central neste mês.

Às 13:19, o dólar avançava 0,81%, a 4,5473 reais na venda. Na máxima, alcançada há pouco, a cotação bateu 4,5510 reais na venda, novo pico histórico nominal durante os negócios.

Mais cedo, a moeda rondava estabilidade, mas mesmo assim o real seguia atrás de seus pares emergentes, que se valorizavam naquele momento. No fim da manhã o dólar reduzia as perdas contra outras divisas de risco, pano de fundo que também influenciava as cotações no Brasil.

Depois do corte surpresa de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) na terça, operadores elevaram apostas em nova redução de juros também no Brasil. Os juros futuros tinham fortes quedas nesta sessão, com contratos de DI apontando Selic média no quarto trimestre de 3,70%, bem abaixo da meta Selic atual, de 4,25% ao ano.

Na noite da véspera, o Banco Central divulgou nota na qual disse que monitora atentamente os impactos do coronavírus nas condições financeiras e na economia brasileira e que as próximas duas semanas vão permitir uma avaliação mais precisa desses efeitos sobre a trajetória da inflação.

"(O Banco Central) sinalizou que a desaceleração global garantirá a continuidade do ciclo de corte de juros", disse em nota a XP Investimentos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunirá em 17 e 18 de março para deliberar sobre a taxa de juros, que está em patamar mínimo recorde de 4,25% ao ano.

Os recentes cortes da Selic a mínimas históricas reduziram a diferença entre as taxas pagas pelos títulos brasileiros e os papéis norte-americanos --considerados os mais seguros do mundo. Assim, o investidor estrangeiro tem tido menos estímulo para aplicar na renda fixa local, o que prejudica o fluxo cambial e recentemente colaborou para a alta do dólar a sucessivas máximas recordes.

"O corte de juros emergencial pelo Banco Central americano (...) animou os mercados no primeiro momento, mas a preocupação com uma potencial deterioração da economia global gerou maior pessimismo" devido à urgência adotada pelo Fed, completou a XP.

Jefferson Laatus, sócio fundador do grupo Laatus, disse que, no entanto, comentários da presidente do Fed de Cleveland nesta quarta-feira, sugerindo a possibilidade de ainda mais cortes de juros, animavam alguns agentes do mercado.

A quarta-feira também era marcada por dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) doméstico, que registrou em 2019 o desempenho mais fraco em três anos ao crescer 1,1%.

"O PIB brasileiro não decepcionou tanto, mas também não animou; não tirou muita pressão do dólar, e o mercado segue em espera", disse Laatus.

Na terça, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,54%, a 4,5109 reais na venda, nova máxima histórica para encerramento, a nona consecutiva.

O Banco Central vendeu nesta quarta-feira todos os 10.735 contratos de swap cambial tradicional ofertados em leilão de rolagem.