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Dólar tem alta após PIB dos EUA e de olho em Trump

Por Luana Maria Benedito

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha leve alta ante o real nesta quinta-feira, depois de oscilar entre ganhos e perdas, um dia após a reunião do Federal Reserve e conforme os mercados digeriam dados sobre a atividade econômica dos Estados Unidos e notícia de que o presidente norte-americano levantou a possibilidade de adiar as eleições de novembro.

O Produto Interno Bruto dos EUA recuou a uma taxa anualizada de 32,9% no último trimestre, o maior declínio desde que o governo começou a manter registros, em 1947, informou o Departamento de Comércio norte-americano nesta quinta-feira. A queda foi mais que o triplo do declínio histórico anterior de 10% no segundo trimestre de 1958. A economia registrou contração de 5,0% no primeiro trimestre.

Ainda assim, a queda apresentada no segundo trimestre não foi tão acentuada quanto se esperava. Economistas consultados pela Reuters previam que o PIB norte-americano teria contração de 34,1% no trimestre de abril a junho.

"O dado apontou uma queda menor do que a esperada na margem anualizada; isso está limitando a alta do dólar e o real diminuiu seu ritmo de perda depois das 9h30", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

Mais cedo, instantes antes da divulgação dos números norte-americanos, o dólar à vista havia tocado a máxima da sessão, de 5,2171 reais, alta de 0,87%. Na mínima, o dólar caiu a 5,158 reais, queda de 0,28%.

Ainda no radar de investidores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou nesta quinta-feira a possibilidade de adiar a eleição presidencial de novembro, apesar de a data estar determinada na Constituição do país.

Não ficou claro se Trump falou sério, e tal medida exigiria uma ação do Congresso, que detém o poder de programar as eleições.

Para Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas, ainda não houve tempo de investidores digerirem a notícia, mas ele ressaltou que essa medida teria impacto sobre os mercados, uma vez que as chances de reeleição de Trump têm ficado sob pressão.

Segundo ele, "o mercado hoje está "andando de lado". "O mercado de dólar está oscilando muito à mercê das notícias referentes à pandemia e à economia, por isso fica assim sem rumo claro. Há que ter cautela neste momento."

Na véspera, o Federal Reserve concluiu sua reunião de política monetária, e declarações do Fed e de seu chair, Jerome Powell, continuavam impactando o sentimento dos investidores. Em comunicado, o banco central norte-americano vinculou diretamente a recuperação econômica à resolução de uma crise de saúde cuja direção permanece muito incerta.

Powell disse que o salto em casos de coronavírus nos Estados Unidos e as restrições que visam contê-lo começaram a pesar na recuperação.

"Ainda que óbvio, o discurso de Powell escancara o fato de que tanto a economia ainda é dependente da série de estímulos governamentais, como o fim da pandemia ainda é condição sine qua non para que tal recuperação ganhe corpo", disseram analistas da Infinity Asset em nota.

As mortes em decorrência do novo coronavírus nos Estados Unidos ultrapassaram 150 mil na quarta-feira, nível mais alto do mundo.

No exterior, o dólar era ganhador contra pares arriscados do real, como peso mexicano, rand sul-africano e a moeda australiana.

Às 11:38, o dólar avançava 0,40%, a 5,1929 reais na venda. O contrato mais líquido de dólar futuro tinha alta de 0,32%, a 5,1875 reais.

Na véspera, o dólar spot registrou alta de 0,29%, a 5,1723 reais na venda.

No acumulado do ano, o dólar sobe perto de 30% contra a moeda brasileira, o que, segundo muitos analistas, é resultado do cenário local de juros baixos e investimento fraco.