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Dólar tem forte queda contra real após dados de inflação dos EUA; mercado aguarda Powell

Nota de dólar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a cair acentuadamente frente ao real nesta sexta-feira, após a divulgação de uma leitura de inflação norte-americana mais baixa do que o esperado, embora investidores do mundo inteiro alertassem para a possibilidade de instabilidade antes de discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole do banco central norte-americano.

Às 10:02 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,65%, a 5,0777 reais na venda, a caminho de registrar queda semanal.

A divisa norte-americana à vista caía em linha com o índice que mede o dólar contra uma cesta de seis pares fortes, que perdia 0,4% por volta de 10h (de Brasília).

Na B3, às 10:02 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,66%, a 5,0840 reais.

Powell falará a partir das 11h (horário de Brasília) na conferência anual de Jackson Hole, com os mercados de olho em qualquer indicação de que uma desaceleração econômica nos Estados Unidos poderia alterar a atual estratégia de política monetária do banco central norte-americano --que já subiu os juros em 2,25 ponto percentual desde março deste ano, numa agressiva batalha contra a inflação.

"O dólar em relação ao real vai trabalhar nessa expectativa (para o discurso de Powell em Jackson Hole)", disse à Reuters Bruno Mori, economista e planejador financeiro da Planejar.

"Quando você tem esse encontro mais tradicional, normalmente é uma reunião que tem informações mais detalhadas", avaliou, acrescentando que "qualquer fala de dirigente do Fed, mesmo que de autoridade local, já dá uma indicação de qual é o tema debatido nas reuniões de política monetária".

Reduzindo a pressão para que o Fed siga promovendo um rápido aperto monetário, dados desta sexta-feira mostraram que o núcleo do índice de preços PCE --medida de inflação favorita do banco central-- teve alta de 0,1% em julho, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,3%. A divulgação dessa leitura pressionou o dólar globalmente nesta manhã.

Juros elevados nos EUA impulsionam os rendimentos da dívida norte-americana, o que costuma atrair recursos para esse mercado, que é considerado extremamente seguro. Isso, por sua vez, implica maior procura pelo dólar, prejudicando o desempenho de divisas de países emergentes, como o real. Ao mesmo tempo, indicações mais brandas do Fed sobre seu aperto monetário tendem a afastar investidores da moeda norte-americana.

Enquanto isso, no Brasil, a corrida eleitoral continuava sob os holofotes, conforme investidores digeriam as falas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sabatina no Jornal Nacional na quinta-feira. Lula aproveitou a entrevista para se descolar da gestão econômica da sucessora Dilma Rousseff e demonstrar, como sinal de moderação, sua afinidade com o vice Geraldo Alckmin (PSB).

Em sua campanha, o clima foi de comemoração, com a avaliação de que o petista teve um desempenho muito bom nos 40 minutos e pode conquistar votos de eleitores indecisos.

Mori disse à Reuters que ainda não viu impacto negativo do noticiário eleitoral nos mercados financeiros domésticos, apontando recentes ingressos de recursos na bolsa paulista e no mercado de juros. Isso se deve ao fato de os dois principais candidatos ao Planalto --Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL)-- serem figuras já conhecidas pelos investidores, o que alivia a incerteza, disse o economista.

Com o desempenho desta sexta-feira, o dólar ficava a caminho de registrar queda semanal de 1,75%, acumulando até agora em agosto baixa de 1,83%.