Dólar reduz alta ante real, de olho em acordo nos EUA

O avanço do dólar ante o real, verificado desde o início do dia no mercado de balcão, desacelerou à tarde, após sinalizações de que o acordo para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos está a caminho. A moeda norte-americana, que subia pela manhã em relação às divisas de países emergentes, minimizou a trajetória após o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, John Boehner, afirmar que continua otimista que um acordo possa ser fechado com o presidente Barack Obama para evitar o abismo fiscal. Depois, foi a vez de Obama dizer que deseja um acordo antes do Natal.

O dólar no balcão, que havia registrado a máxima de R$ 2,095 (alta de 0,67%) por volta das 11h50, desacelerou e fechou a R$ 2,0880, com valorização de 0,34%. Na mínima desta quarta-feira, pouco depois da abertura, a cotação foi R$ 2,0830. O dólar pronto da BM&F fechou em alta de 0,45%, a R$ 2,0852, com dez negócios.

No mercado futuro, os comentários de Boehner e Obama também desaceleraram o dólar para dezembro. A moeda, que chegou a marcar R$ 2,0955 mais cedo, era cotada a R$ 2,0890 às 16h34 (horário de Brasília), com ganho de 0,14%.

"No exterior, as Bolsas passaram o dia todo no negativo, mas a fala de Obama foi crucial para dar ânimo. Com isso, as Bolsas viraram e o dólar passou a desacelerar (ante o real) na reta final do pregão", comentou um operador. Outro profissional, que também preferiu não se identificar, disse que as dúvidas sobre o abismo fiscal fizeram mais cedo os investidores "correr para o dólar, considerado mais seguro".

O gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa, citou ainda um fluxo negativo no início do dia. "Aqui no Brasil, a alta do dólar era mais consistente que o visto lá fora, porque houve remessas", afirmou.

Quando surgiram as sinalizações de Boehner e Obama, a moeda norte-americana passou a cair ante as divisas de emergentes e praticamente anulou as oscilações ante o euro. No caso do real, houve desaceleração, mas não o suficiente para que a divisa norte-americana fechasse no território negativo.

No mercado futuro, a disputa entre "comprados" (que apostam na alta) e "vendidos" (que apostam na queda) vai, aos poucos, se intensificando, com a proximidade do fim da semana, quando será definida a Ptax para liquidação de contratos derivativos no início de dezembro.

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