Dólar recua ante o real em dia de baixo volume

Numa sessão calma em função do feriado nos Estados Unidos, o dólar à vista no balcão fechou o dia em baixa de 0,20%, cotado a R$ 1,9630 no balcão. A moeda americana, que chegou a subir mais cedo, manteve-se em baixa durante toda a tarde, sob a influência de bancos e investidores estrangeiros, que seguem bastante vendidos no mercado futuro, e em meio ao giro reduzido de negócios.

Na cotação máxima do dia, perto das 10h30, o dólar à vista marcou R$ 1,970 (+0,15%) no balcão e, na mínima, às 15h15, atingiu R$ 1,9610 (-0,31%). Da máxima para a mínima, a moeda americana oscilou -0,46%. Às 16h57 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,894 bilhões, sendo US$ 2,840 bilhões. O dólar pronto da BM&F fechou a R$ 1,9620 (-0,18%), com apenas nove negócios realizados.

No mercado futuro, o dólar para março era cotado a R$ 1,96650, em baixa de 0,28%. O volume financeiro no mercado futuro era reduzido, somando US$ 8,897 bilhões perto do horário acima, sendo US$ 8,875 bilhões para o vencimento de março - abaixo do total de US$ 21,265 bilhões da última sexta-feira (US$ 21,006 bilhões para março).

Para o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel, o feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos reduziu os negócios no Brasil. "Quando o fluxo é pequeno, o mercado fica mais volátil. Mas mesmo caindo um pouco hoje, o dólar (no balcão) permaneceu acima da mínima vista na sexta-feira (de R$ 1,9520), quando o Banco Central atuou", disse Battistel, em referência ao leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro).

Segundo Battistel, a atuação do BC e as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o controle da inflação é feito por meio dos juros - e não do câmbio - deixaram claro que o piso informal da moeda é, atualmente, de R$ 1,95. Esta também é a percepção do consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ, Maurício Nakahodo, para quem a queda da moeda hoje esteve ligada às posições vendidas de bancos e investidores estrangeiros no mercado futuro, que puxam o dólar para baixo.

Dados da BM&FBovespa mostram que, na última sexta-feira, os bancos estavam vendidos em 53.238 contratos em aberto (US$ 2,662 bilhões) em dólar futuro e vendidos em 53.819 contratos em aberto (US$ 2,691 bilhões) em cupom cambial - DDI. Já os estrangeiros estão comprados em 43.012 contratos em aberto (US$ 2,151 bilhões) em dólar futuro, mas vendidos em 173.691 contratos em aberto (US$ 8,685 bilhões) em cupom cambial - DDI.

À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que a balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 179 milhões na terceira semana de fevereiro (11 a 17). No período, com apenas três dias úteis, as exportações somaram US$ 2,454 bilhões e as importações, US$ 2,275 bilhões. O saldo positivo da terceira semana contribuiu para reduzir o resultado negativo da balança no mês, mas o acumulado no período ainda é deficitário em US$ 562 milhões. Em fevereiro, as exportações totalizam US$ 7,452 bilhões e as importações, US$ 8,014 bilhões. Os números da balança tiveram influência secundária no movimento do dólar nesta segunda-feira, sendo que profissionais do mercado lembraram que a última semana foi menor em função do carnaval, o que pode ter trazido distorções.

Carregando...