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Dólar tem instabilidade depois de superar R$5,27 com riscos fiscais domésticos em foco

Pedestre passa em frente a casa de câmbio em São Paulo

Por Luana Maria Benedito

(Reuters) - O dólar mostrava instabilidade nesta segunda-feira, mas chegou a superar os 5,27 reais nos picos da sessão, com a persistência de temores político-fiscais domésticos mantendo forte a demanda pela segurança da moeda norte-americana.

Às 10:07 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,06%, a 5,2484 reais na venda. Depois de abrir em queda, a moeda norte-americana ganhou fôlego ao longo da manhã e saltou 0,46% na máxima, a 5,2760 reais, antes de arrefecer e passar a alternar leves altas e baixas.

Na B3, às 10:07 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,05%, a 5,2565 reais.

Essa movimentação vem depois de o dólar spot já ter registrado alta de 0,43% na última sessão, na sexta-feira, a 5,2518 reais, maior nível desde 8 de fevereiro deste ano (5,2604), impulsionado pelo clima local arisco.

Se seguir no azul até o fim das negociações desta segunda-feira, o dólar terá avançado pelo 13° de 15 pregões.

Receios fiscais locais ganharam força desde que o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), relator da chamada PEC dos Combustíveis, afirmou que o texto vai incluir na Constituição federal um aumento de 200 reais no valor do Auxílio Brasil, reajuste do auxílio-gás em torno de 70 reais e a criação de um "voucher caminhoneiro" de 1.000 reais.

Estas são propostas que sugerem aumento do gasto público no curto prazo e possível rompimento do teto de gastos, alertaram em relatório analistas da Genial Investimentos.

"Mais preocupante é a ofensiva de membros e apoiadores do governo no sentido de mudar reformas estruturais importantes que foram aprovadas nos últimos seis anos e que têm sido fundamentais para gerar equilíbrio fiscal", continuaram, dizendo enxergar ameaça à Lei das Estatais em meio ao que muitos veem como interferência política na Petrobras.

A petroleira está num processo de troca de comando depois que José Mauro Coelho pediu demissão do cargo de CEO no início da semana passada em meio à pressão do Executivo por mudança na política de paridade de preços de combustíveis da empresa. Caio Paes de Andrade, indicado do governo, deve ser aprovado como novo presidente-executivo da estatal nesta semana, segundo fontes.

"Diante desta ofensiva, os preços dos ativos financeiros voltaram ao território negativo: desvalorização cambial, queda dos preços das ações e aumento das taxas de juros, revertendo uma trajetória positiva que persistia desde o início de 2022", afirmaram os especialistas da Genial.

O dólar reduziu suas perdas no ano contra o real para pouco menos de 6%, e já está quase 14% acima da mínima para encerramento deste ano, de 4,6075 reais, atingida no início de abril após um primeiro trimestre brilhante para a moeda brasileira.

No exterior, havia poucos catalisadores para o mercado nesta segunda-feira, o que permitia alguma valorização das ações. O dólar rondava a estabilidade contra uma cesta de moedas fortes, mas tinha ganhos frente a várias moedas consideradas arriscadas, como a australiana, a mexicana e a sul-africana.

O Bradesco disse em nota a clientes que o destaque desta semana será a divulgação, na quinta-feira, de dados norte-americanos de inflação medidos pelo índice PCE, favorito do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, para avaliar o ritmo de crescimento dos preços ao consumidor.

"Ao longo da semana, as discussões em torno da condução da política monetária nos Estados Unidos e no restante do mundo, bem como seus impactos sobre a atividade econômica, devem se manter no radar dos investidores", completou o banco.

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