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Com movimentos fortes, dólar engata segundo dia de queda

Lucas Hirata

Embora cena política seja monitorada de perto, agentes comentam que exterior mais ameno permite reduzir parte do prêmio de risco acumulado nos últimos dias O mercado brasileiro de câmbio tem enfrentado dias de movimentos bastante acentuados. Em momentos de tensão lá fora, a busca pela proteção do dólar é ainda mais intensa aqui. E isso também se aplica a sessões de alívio, como se observa desde sexta.

O dólar comercial firma a queda contra o real, beneficiando-se do ambiente de valorização de boa parte das moedas emergentes e ligadas a commodities. Embora a situação política seja monitorada de perto, os agentes financeiros comentam que o exterior mais ameno permite que o câmbio reduza parte do prêmio de risco acumulado nos últimos dias.

Hoje, o dólar cai pelo segundo dia seguido, depois de fechar em baixa na sexta-feira, quando interrompeu a sequência de sete altas consecutivas. Por volta das 13h15, o dólar comercial tinha queda de 1,85%, aos R$ 5,2190, depois de tocar R$ 5,1994 na mínima do dia. Com esse movimento, o real tem o melhor desempenho do dia em um ranking das principais divisas globais, embora ainda acumule a desvalorização mais intensa da lista.

Para Marcio Simões Rodrigues, gerente da Mesa de Operações BMF da Planner Corretora, o real tem sofrido muito em momentos de nervosismo no exterior e de tensão política no âmbito doméstico. No entanto, com a busca por moedas emergentes hoje diante da expectativa de reabertura gradual das economias globais, há espaço para reduzir o prêmio de risco no câmbio brasileiro.

Hoje, com a leve queda das bolsas globais, operadores comentam que existe uma pressão menor do que em dias anteriores por montar proteção no dólar, o que facilita o alívio no mercado brasileiro.

O diretor de investimentos da TAG, Dan Kawa, afirma que é preciso contextualizar a situação sobre o risco de uma segunda onda de contágio da covid-19 pelo mundo. “Era natural que novos casos fossem surgissem com a reabertura gradual do mundo. O relevante, a luz do mercado, é entender se o número de fatalidades permanecerá em tendência de queda, assim como observar se o sistema de saúde se manterá firme, sólido e capaz de atender aqueles que necessitam de internação”, explica em nota.

Para Kawa, neste momento, com o número de fatalidades em baixa e o sistema de saúde, na média, com ociosidade alta ao redor do mundo, o mercado parece mais “tranquilo” com a situação. Ainda assim, ele continua esperando um mercado operando em intervalos de preços, com leve viés negativo no curto prazo. “Não estou alterando minha visão de alocações estrutural, mas sigo buscando proteções de forma mais ativa e agressiva”, acrescenta.

O que ainda mantém um sinal de alerta, contudo, é a situação política. O gestor na JPP Capital, Joaquim Kokudai, afirma que hoje o movimento que ajuda o real é mais global. Em relação à situação política, ele afirma que o mercado fica mais preocupado quando começa um atrito maior entre Executivo e outros poderes. Agora, o governo está mais acuado e tentar manter o diálogo com os outros poderes, o que acaba sendo favorável do ponto de vista de articulação.

Chris Ratcliffe/Bloomberg