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Dólar recua após salto recente, à espera da PEC da Transição

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar caía frente ao real nos primeiros negócios desta segunda-feira (14), em movimento de ajuste depois de registrar sua melhor semana em dois anos e meio e apesar da aversão a risco no exterior, enquanto investidores ficavam à espera da definição do texto da PEC de Transição, que o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva busca para permitir gastos extra-teto em 2023.

Às 9h18 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,01%, a R$ 5,2762 na venda, em sessão que deve contar com volumes reduzidos por ser véspera de feriado no Brasil.

Na B3, às 9h18 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,48%, a R$ 5,2935.

Na sexta-feira (11), investidores ajustaram suas carteiras na tentativa de achar novos preços para o risco de aplicar dinheiro no mercado de ações brasileiro depois do discurso da véspera do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido compreendido pelo mercado como uma defesa do descontrole das contas públicas em nome da necessidade de ampliar gastos com assistência social.

No exterior, notícias de que a China está dando passos firmes para reduzir as restrições de controle da Covid animaram investidores estrangeiros e isso beneficiou todo o setor de matérias-primas.

Com isso, o dólar comercial à vista caiu 1,31%, a R$ 5,3250, neste pregão. Na semana, porém, houve alta de 5,4%, o que significou o maior avanço semanal da divisa desde maio de 2020, quando a economia foi abalada pela Covid. Ainda assim, a moeda americana acumula queda de 4,5% frente ao real em 2022.

Na Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa subiu 2,26%, aos 112.253 pontos. A alta nesta sessão não foi suficiente para compensar uma sequência de tropeços no últimos dias que resultaram em uma queda semanal de 5% do principal índice de ações do país.

A escalada do setor de matérias-primas no Brasil também ganhou força com investidores internacionais ainda otimistas com uma desaceleração da inflação americana que surpreendeu analistas na quinta-feira (10). O S&P 500, indicador parâmetro de Wall Street, subiu 0,92% na sexta e fechou a semana com um salto de 5,90%. A Nasdaq, que reúne ações do ramo da tecnologia, disparou 8,10% na semana.

Se por um lado Bolsa e dólar mostraram certo alívio, por outro, os juros continuaram subindo com força. As taxas DI (depósitos interbancários) com vencimento em 2024 saltaram a 13,97% nesta sexta. Há uma semana, esse indicador estava em 12,94%. A alta foi generalizada em todos os contratos de juros com vencimento para os próximos anos.

A abertura das curvas de juros, como esse cenário é chamado no jargão do mercado, indica a desconfiança sobre o compromisso do próximo governo em conter a inflação.

Na quinta-feira (10), o mercado financeiro refletiu o descontentamento de investidores com as críticas feitas por Lula a regras que limitam os gastos públicos.

As declarações do petista tiveram impacto em um ambiente de negócios já prejudicado desde as primeiras horas do dia pela divulgação da inflação de outubro, que acelerou acima do esperado.