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Dólar recua ante real com esperanças de gasto extra-teto moderado na PEC da Transição

Pessoa segura notas de dólar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou o pregão desta segunda-feira, marcado por volatilidade e vaivém, em queda frente ao real, após ser abatido no final das negociações por esperanças de que a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva ceda a uma redução nos gastos extra-teto que serão embutidos na PEC da Transição.

A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 0,51%, a 5,3026 reais, depois de ter passado boa parte da sessão entre estabilidade e leve alta, o que investidores atribuíram a momentos de cautela antes do feriado nacional da Proclamação da República, que manterá os mercados domésticos fechados na terça-feira.

Mas o dólar sofreu um tombo repentino no final das negociações, indo de estabilidade para queda de mais de 1% em certo ponto, depois que a Bloomberg informou, citando fontes anônimas, que a equipe de transição de Lula considerará uma abordagem mais conservadora ao excepcionalizar despesas das regras fiscais no ano que vem, reduzindo os gastos extra-teto para 130 bilhões de reais.

Até recentemente, o valor extra-teto discutido para inclusão na PEC da Transição estava em torno de 175 bilhões de reais, mas Lula tem ficado sob forte pressão de aliados mais moderados e dos mercados financeiros para que reduza essa quantia.

"O centrão barrar a PEC de transição, tentar negociar para que não tivesse o (valor que) Lula tem anunciado nos últimos dias, daria um pouco de alívio em relação ao risco fiscal", disse à Reuters Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, sobre o tombo do dólar no final da tarde desta segunda-feira.

Já a Levante Investimentos disse em nota ter como cenário-base a aprovação da PEC na reta final das atividades legislativas deste ano com um valor moderado de gastos acima do teto --maior que a quantia defendida por agentes políticos mais ao centro e moderados, mas abaixo dos 175 bilhões de reais até recentemente pretendidos pela ala de Lula.

Em meio às discussões sobre a PEC, o BTG Pactual avaliou em relatório nesta segunda-feira que o "impasse em relação à sustentabilidade fiscal nos faz esperar que o real siga negociando mais volátil, finalizando o ano em 5,20 por dólar".

Na semana passada, diante de temores sobre os gastos que serão embutidos na PEC, críticas de Lula ao atual arcabouço fiscal do Brasil e indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega à equipe de transição, o dólar disparou 5,49%, maior ganho semanal desde maio de 2020.

EXAGERO

Alguns observadores do mercado financeiro acreditam que o tombo recente dos ativos brasileiros em resposta a preocupações de descontrole fiscal sob Lula pode ter sido exagerado, já que o maior risco para o Brasil seria uma transição de poder conturbada ou golpes contra a democracia --cenário que não se consolidou, apesar de protestos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"O Brasil teve eleições há duas semanas e a transferência de poder é pacífica. O mais raro dos presentes, um grande mercado emergente com uma democracia funcional. O que os mercados fazem? Punem o Brasil, vendendo o real e precificando mais altas de juros", escreveu no fim de semana o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Robin Brooks.

"Fomos inundados com pedidos para enfraquecermos nosso valor justo de longa data de 4,50 por dólar", disse Brooks ao falar sobre o patamar de câmbio considerado condizente com os fundamentos do país.

"Não faremos nada disso. O resultado nesta eleição não é importante. Em vez disso, tratava-se de saber se o Brasil poderia evitar um momento ao estilo 6 de janeiro nos EUA", afirmou o economista, referindo-se à invasão do Capitólio norte-americano em 2021. "(O Brasil) conseguiu. O real vai se recuperar para 4,50 por dólar."