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Dólar recua e deixa real com melhor desempenho global apesar de aversão a risco pós-Fed

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha forte queda nesta quinta-feira, com o real contrariando tendência internacional de aversão a risco --desencadeada na véspera após sinalização mais dura do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve-- e apresentando o melhor desempenho global no dia em meio a expectativas de juros mais altos no Brasil.

Às 10:22 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,92%, a 5,3888 reais na venda, após chegar a tocar os 5,3767 reais na mínima do dia (-1,14%). Caso mantenha esse comportamento até o fim dos negócios, o dólar registrará seu menor patamar para encerramento desde 1° de outubro passado (5,3696).

O real tinha a melhor performance contra o dólar entre uma cesta de mais de 30 principais pares globais da divisa norte-americana nesta quinta-feira.

Na B3, às 10:22 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,87%, a 5,3915 reais.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis pares fortes ia na direção oposta, ganhando 0,6% nesta manhã, em meio a apostas crescentes de que o Fed elevará os juros mais vezes do que o esperado ao longo de 2022.

Após a conclusão da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês, responsável pela definição da política monetária), o chair do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central provavelmente aumentará os custos dos empréstimos em março e reafirmou planos de encerrar suas compras de títulos no mesmo mês.

Juros mais altos nos EUA são, no geral, vistos como benéficos para o dólar e prejudiciais para moedas de países emergentes, mas algumas moedas além do real --como rand sul-africano, peso mexicano e peso chileno--também desafiavam essa tendência nesta quinta-feira.

Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, disse à Reuters que a explicação para o descolamento do real em relação à onda de aversão a risco nesta manhã é o atual ciclo de altas de juros pelo Banco Central do Brasil.

Com a taxa Selic --atualmente em 9,25% ao ano-- a caminho de superar os dois dígitos, é "muito caro" ficar comprado em dólar, disse o especialista, uma vez que o carrego (retorno por diferencial de taxa de juros) oferecido pelo real é alto.

"Com o dólar perto de 5,75 reais e nesse juro, tinha mesmo que ajustar", disse Giuberti, referindo-se às perdas acumuladas pela moeda norte-americana desde o início do ano, agora de mais de 3%.

Ele afirmou ainda que um retorno dos investidores estrangeiros à bolsa brasileira --com o Ibovespa acumulando alta de mais de 6% até agora no ano-- é fator de apoio para o real.

Para 2022 como um todo, o economista disse que "pode ser um ano tranquilo" apesar das eleições presidenciais de outubro, uma vez que o "mercado antecipou muito estresse para o ano passado". Segundo ele, o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter acenado recentemente a partidos de centro já ajuda a afastar temores de investidores.

A moeda norte-americana spot fechou a última sessão com variação positiva de 0,06%, a 5,4387 reais na venda.

Nesta sessão, o Banco Central fará leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022.

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