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Dólar recua ante real de olho em Trump e emprego nos EUA, mas caminha para ganho semanal

Por Luana Maria Benedito
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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda ante o real em sexta-feira marcada por importantes dados de emprego norte-americanos e pela notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, testou positivo para a Covid-19, mas caminhava para fechar uma semana abalada por temores fiscais domésticos em alta.

Às 10:46, o dólar recuava 0,67%, a 5,6151 reais na venda. Enquanto isso, o principal contrato de dólar futuro perdia 0,54%, a 5,618 reais.

Segundo Thomás Gibertoni, especialista da Portofino Multi Family Office, um dos principais fatores de pressão para a moeda norte-americana era a leitura desta sexta-feira de que a criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado em setembro, já que a recuperação diante do tombo da Covid-19 perdeu ímpeto em meio à redução do auxílio fiscal do governo.

No último relatório mensal de emprego antes da eleição presidencial de 3 de novembro, o Departamento do Trabalho dos EUA informou a criação de 661 mil postos de trabalho no mês passado, após salto de 1,489 milhão em agosto. Já a taxa de desemprego dos EUA caiu a 7,9% em setembro, ante nível de 8,4% em agosto.

"Apesar do baixo desemprego, o 'payroll' mostrou que a economia norte-americana não está a todo vapor, e, globalmente, o dólar perde alguma força", explicou Gibertoni.

Enquanto isso, os mercados internacionais também reagiam à notícia de que Trump, que minimizou a ameaça da pandemia de coronavírus por meses, anunciou nesta sexta-feira que ele e a primeira-dama Melania Trump tiveram teste positivo para Covid-19 e entrarão em quarentena. [L1N2GT0CE]

"Temos que ver qual será o efeito dessa notícia nas eleições dos EUA e acompanhar como seguirá um impasse nas negociações de estímulo" no Congresso norte-americano, disse Gibertoni.

A Casa Branca apresentou uma nova proposta de estímulo para os democratas da Câmara dos Deputados no valor de mais de 1,5 trilhão de dólares, disse na quarta-feira o chefe de gabinete do governo Trump, Mark Meadows.

No Brasil, a questão fiscal continuava concentrando atenções, bem como o relacionamento entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro afirmou em transmissão pelas redes sociais que Guedes é o "cara da política econômica" e que a "palavra final" é dele.

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, disse em nota que Bolsonaro "reiterou total apoio à agenda econômica de Paulo Guedes e ao ministro em si, retirando o peso que se colocou nas costas da equipe econômica nas últimas semanas, dadas as soluções inviáveis criadas pela ala política do governo."

Na quinta-feira, o dólar spot teve alta de 0,61% contra o real -- a 5,6531 reais, maior patamar desde 20 de maio -- em meio a temores sobre a saúde fiscal do Brasil, pauta que tem dominado o cenário local devido a dúvidas sobre como um pacote assistencialista do governo seria financiado sem furo do teto de gastos.

Apesar do alívio desta sessão, o dólar ainda caminha para registrar salto de cerca de 1,37% desde o fechamento da última sexta-feira, o que marcaria sua quarta alta semanal consecutiva.

No ano, a moeda norte-americana já ganha mais de 40% contra o real, impulsionada por um cenário doméstico recheado de incertezas políticas e econômicas e marcado por juros extremamente baixos.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 10 mil contratos com vencimento em março e julho de 2021.