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Dólar recua ante real conforme investidores digerem IPCA acima do esperado

·3 min de leitura
Funcionário de casa de câmbio conta notas de 100 dólares

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abandonou a estabilidade vista mais cedo e passava a cair contra o real nesta terça-feira, conforme agentes do mercado digeriam dados de inflação domésticos mais fortes do que o esperado, pesando seu potencial impacto sobre a atratividade da moeda brasileira contra o custo à atividade econômica.

O IBGE informou nesta terça-feira que o IPCA subiu 0,73% em dezembro, acumulando em 2021 salto de 10,06%. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,65% no mês passado e de 9,97% em 12 meses. [nL1N2TR11G]

Com esse resultado, a inflação ao consumidor brasileiro encerrou 2021 bem acima do teto da meta e no nível mais elevado em seis anos, mantendo a pressão sobre o Banco Central para que contenha as altas dos preços com seu ciclo de aperto monetário.

No ano passado, a autarquia levou a taxa Selic de uma mínima histórica de 2% para 9,25% ao ano, mostrando, em sua última reunião, preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação.

O resultado acima do esperado do IPCA de dezembro deve reforçar essa "pressão em cima do BC em relação ao aperto monetário que vem fazendo e deve continuar promovendo daqui para frente", comentou Samuel Cunha, economista e sócio da H3 Invest.

Há, entre participantes do mercado, percepção de que juros mais altos no Brasil podem beneficiar o real, uma vez que elevariam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, atraindo mais recursos para o país.

Mas a inflação e uma Selic mais alta --que deve chegar aos dois dígitos já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC-- também podem ter um custo elevado à atividade econômica brasileira, uma vez que tendem a frear os gastos do consumidor.

"Aquela ideia do começo de 2021 de que a inflação seria algo temporário veio abaixo há algum tempo. A gente deve se preocupar, porque é um dos vetores que podem e devem impactar nosso crescimento econômico", afirmou Cunha.

Às 10:32 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,44%, a 5,6475 reais na venda.

Na B3, às 10:32 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,30%, a 5,6730 reais.

Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de moedas rondava a estabilidade nesta manhã.

Os mercados globais estavam à espera de declarações do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos mais tarde nesta terça-feira, em busca de pistas sobre o momento do esperado aperto da política monetária nos EUA.

"Juros americanos mais elevados aumentam a atratividade dos investimentos em dólar e tendem a drenar recursos de países emergentes, o Brasil entre eles", disse a Levante Investimentos em relatório.

Para além dos acontecimentos desta terça-feira, agentes do mercado financeiro destacavam riscos políticos e fiscais domésticos como desafios ao Brasil ao longo deste ano.

"Incertezas políticas e fiscais deverão continuar trazendo bastante volatilidade ao longo de 2022, principalmente diante de um cenário eleitoral que será marcado por uma forte polarização", disseram em nota analistas da Genial Investimentos.

A credibilidade fiscal do Brasil foi prejudicada depois de o governo ter conseguido alterar a regra do teto de gastos por meio da PEC dos Precatórios, abrindo espaço para financiar mais despesas neste ano. Com várias categorias de servidores pressionando a União por reajustes salariais, investidores temem que as contas públicas sejam ainda mais afetadas em 2022.

A divisa norte-americana fechou a última sessão em alta de 0,72%, a 5,6723 reais na venda.

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