Mercado fechado

Dólar pode cair 20% em 2021 com avanço de vacinas, diz Citigroup

Susanne Barton
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O dólar deve iniciar uma queda de até 20% em 2021 caso as vacinas contra a Covid-19 sejam amplamente distribuídas e ajudem a retomar o comércio global e o crescimento econômico, segundo o Citigroup.

“Acreditamos que a distribuição de vacinas marcará todas nossas indicações de mercado baixista, permitindo que o dólar siga um caminho semelhante ao que experimentou desde o início até meados dos anos 2000”, quando a moeda entrou em uma trajetória descendente de vários anos, disseram estrategistas do Citigroup como Calvin Tse em relatório na segunda-feira.

O índice dólar da Bloomberg, que acumula queda de cerca de 11% em relação ao pico de março, sofreu maior pressão na segunda-feira após a notícia de que a vacina contra a Covid-19 da Moderna mostrou eficácia em um ensaio clínico, o que pesou sobre a demanda por ativos vistos como porto seguro como o dólar, o iene e os títulos do Tesouro dos EUA.

Estrategistas argumentam há meses que a eleição dos EUA, as descobertas de vacinas e a política do Federal Reserve podem causar um forte impacto na moeda americana. A eleição não foi, em última análise, o catalisador para uma queda significativa, mas o Citigroup diz que o cenário macroeconômico será um grande fator para o desempenho do dólar no futuro.

Expectativa de rotação

O banco espera que, além do impacto das descobertas de vacinas, o dólar seja afetado pela postura dovish, ou inclinada ao afrouxamento monetário, do Fed enquanto a economia global se normaliza. Além disso, a economia mundial deve crescer em ritmo mais rápido e investidores tendem a trocar ativos dos EUA pelos internacionais.

E “se a curva de juros dos EUA se inclinar com o aumento das expectativas de inflação, isso incentivará investidores” a fazerem hedge da exposição cambial, disseram. “Dada essa configuração, há potencial para que as perdas do dólar sejam antecipadas”, e a moeda cairia em espiral mais cedo.

O Citigroup é mais pessimista do que o consenso de estrategistas cuja previsão é de que um indicador da moeda se desvalorize cerca de 3% até o final do próximo ano. O índice dólar da Bloomberg acumula baixa de 1,8% neste mês e caiu em seis dos últimos sete.

A maior queda anual do índice do dólar DXY, da Intercontinental Exchange, foi em 1985, quando caiu 18,5%.

O Citigroup observa que, em 2001, o catalisador que deu início à tendência de queda do dólar ao longo dos anos foi a entrada da China na Organização Mundial do Comércio. Isso “estimulou uma onda de globalização, empurrando os volumes do comércio global para cima, deixando para trás a economia fechada dos EUA que tinha um beta muito menor para o crescimento global”.

“Há muitos motivos para ser otimista”, no desenvolvimento de vacinas, disseram os estrategistas. A distribuição “irá catalisar a próxima etapa de baixa na tendência de baixa estrutural do dólar dos EUA que esperamos”.

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.