Dólar oscila entre altas e baixas e fecha a R$ 2,0820

Após a atuação de sexta-feira do Banco Central (BC), que reconduziu o dólar para abaixo de R$ 2,10, a moeda americana oscilou nesta segunda-feira entre os territórios negativo e o positivo, para fechar em leve baixa de 0,05%, cotado a R$ 2,0820 no balcão. O dia foi marcado por uma certa acomodação, após os seguidos feriados no Brasil e nos Estados Unidos e a sinalização, segundo alguns profissionais do mercado, de que um novo teto para a moeda americana teria sido estabelecido, em R$ 2,12.

"Na manhã de hoje, houve um reflexo (de baixa) da sexta-feira, quando houve atuação do BC. À tarde, depois de indicadores ruins dos Estados Unidos, o mercado voltou a trabalhar em sintonia com o que acontecia no exterior", comentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba. Os dados norte-americanos mostraram queda do Índice Nacional de Atividade do Federal Reserve de Chicago, de zero em setembro para -0,56 em outubro, e recuo do índice de atividade das empresas do Fed de Dallas, de +1,8 em outubro para -2,8 em novembro.

A cautela com o resultado da reunião desta segunda-feira dos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que pode oficializar a liberação de mais recursos para a Grécia, também favoreceu o movimento de alta do dólar no exterior em relação a outras moedas de países emergentes. Este fator contribuiu para o leve viés de alta verificado pelo dólar ante o real em vários momentos da sessão, em especial durante a tarde.

Na mínima do dia, verificada pela manhã, o dólar foi cotado a R$ 2,0750 (queda de 0,38%) e, na máxima, vista durante a tarde, a R$ 2,0870 (alta de 0,19%). Da mínima para a máxima a moeda oscilou +0,58%. Pouco depois das 16h30, o giro financeiro à vista somava US$ 2,188 bilhões (US$ 2,122 bilhões em D+2) - um volume mais consistente que o da última sexta-feira no mercado à vista, quando o mercado norte-americano fechou mais cedo. Na BM&F, o dólar pronto fechou em baixa de 0,19%, a R$ 2,0825, com oito negócios. Às 16h44, o dólar para dezembro de 2012 era cotado a R$ 2,0835, com baixa de 0,02%, após marcar durante o dia máxima de R$ 2,0885.

Para o economista Sidney Nehme, diretor da NGO Corretora, a forte pressão de alta sobre a moeda na última sexta-feira fez a autoridade monetária atuar. Agora, a tendência é que a divisa siga um pouco volátil, até que se defina se o BC vai rolar ou não o restante do vencimento de swap cambial reverso, no próximo dia 3 de dezembro.

Na sexta-feira, após declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o câmbio "não está em posição totalmente satisfatória", o dólar disparou até R$ 2,117 no balcão, enquanto o dólar para dezembro de 2012 atingiu R$ 2,120. Assim, o BC foi obrigado a agir por meio de leilão de swap cambial tradicional (venda de dólares no mercado futuro). A intervenção fez o dólar abandonar o território positivo e passar a registrar perdas em relação ao real. Nesse leilão, o BC vendeu 32.500 contratos de swap tradicional para 3 de dezembro, em um total de US$ 1,620 bilhão - cerca de metade dos US$ 3,1 bilhões do vencimento.

"O BC ofereceu tudo e colocou apenas metade (do vencimento do swap), mas isso foi suficiente para manter a moeda no patamar no qual ela está. Está claro que o BC não deve rolar esta posição, a menos que o dólar demonstre alguma fragilidade", comentou Nehme. Esta não rolagem, aliás, já havia sido sinalizada por fonte ouvida pela reportagem há duas semanas.

Por outro lado, caso o exterior traga uma pressão adicional de alta para o dólar ante o real ou se o mercado tentar testar novamente o BC, para se certificar de que o novo teto para o câmbio está mesmo em R$ 2,12 - e não em R$ 2,10, como ainda citam alguns profissionais -, a autoridade monetária pode convocar um novo leilão de swap tradicional, como na sexta-feira, para novamente conter o dólar.

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