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Dólar tem forte alta em dia de tensão no exterior e cautela no Brasil

Lucas Hirata

Preocupações com nova onda de contágio da covid-19 influenciam negociações O dólar comercial inicia a sessão desta segunda-feira em forte alta contra o real, em uma evidência da busca por proteção global devido às preocupações com uma nova onda de contágio da covid-19 nos Estados Unidos. Por aqui, o movimento é mais intenso do que boa parte dos mercados globais, dado que os investidores também estão avaliando o cenário político e o anúncio de Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, de que deixará o governo nos próximos meses.

Ao redor de 12h20, o dólar comercial subia 3,46%, aos R$ 5,2193.

O principal catalisador do movimento em todo o mundo é a preocupação com uma nova onda de contágio da covid-19, que ameaça a velocidade de recuperação da economia dos Estados Unidos. Nos últimos dias, foram registrados casos crescentes da doença nos EUA (Arizona, Califórnia, Flórida e Texas), bem como um novo surto em Pequim (mais de 80 casos do no fim de semana, depois de passar sete semanas sem um único caso novo) e em Tóquio (maior número diário de casos novos, 47, desde 5 de maio). Este cenário eleva sobremaneira as preocupações dos investidores sobre o impacto econômico da pandemia.

“Tal cenário esvazia, pelo menos por enquanto, as apostas mais otimistas no âmbito da recuperação da atividade global, sentimento que vinha embasando, em conjunto com as trilionárias injeções de estímulos pelos principais governos e seus bancos centrais, o impressionante rali de recuperação visto até a última segunda-feira, 8 de junho”, explica o operador Cleber Alessie Machado Neto, da Commcor.

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Domesticamente, os investidores também devem avaliar o anúncio de Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, que informou sua saída do governo para os próximos meses. “Será uma perda imensurável para o país. Isso pode gerar algum ruído de curto-prazo, mas ainda precisamos entender quem será seu substituto”, afirma o diretor de investimento da TAG, Dan Kawa, em relatório.

Ele afirma que o ministro da Economia, Paulo Guedes, continua como “fiador” dos ajustes econômicos, mas “Mansueto é um profissional muito respeitado em sua área e que certamente fará falta na iniciativa pública em um momento como o atual”.

Os analistas da Guide destacam que o secretário anuncia a sua saída do governo uma semana após fazer críticas ao plano de reformulação do Bolsa Família, que deve passar a se chamar Renda Brasil, consolidar outros programas assistências e tornar permanente o auxílio para informais. Conforme apontam os analistas, o secretário criticou a reformulação proposta por Guedes em uma entrevista: “pegar 40% de mão de obra e jogar num programa social, esse debate nem deveria começar”, afirmou o secretário.

Nesta semana, as atenções também se concentram na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira. A expectativa de grande parte do mercado é um novo corte de 0,75 ponto percentual da Selic, de 3% para 2,25% ao ano. Alguns analistas comentam, inclusive, que a autoridade monetária não deve fechar totalmente as portas para novos movimentos futuros, dada a gravidade da crise econômica e o cenário de baixa inflação.

Hoje, na pesquisa Focus, a projeção mediana para a Selic se manteve em 2,25% no fim do 2020, mas caiu de 3,50% para 3% no fim de 2021. Além disso, a leitura para o dólar saiu de R$ 5,40 para R$ 5,20 no fim de 2020, enquanto baixou de R$ 5,08 para R$ 5,00 em 2021. Para o PIB, a estimativa é agora de recuo de 6,51% neste ano e crescimento de 3,50% em 2021.

No mercado de juros, existe uma interpretação de que o ambiente atual de contração da atividade pode levar a juros baixos por mais tempo, o que inibe um salto das taxas hoje. O DI para janeiro de 2021 operava a 2,155% (2,16% no ajuste anterior), o DI janeiro de 2022 tinha leve alta a 3,10% (3,07% no ajuste anterior) e DI janeiro de 2023 subia a 4,19% (4,14% no ajuste anterior). Já o DI janeiro de 2025 marcava 5,78% (5,68% no ajuste anterior).