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Dólar opera abaixo de R$ 5,25 e juros futuros têm queda com exterior

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Cena política brasileira e reabertura de algumas economias no mundo são monitoradas pelos agentes financeiros Após andar na contramão dos pares no pregão da véspera, o mercado de câmbio local volta a ser influenciado pelo bom humor do investidor global nesta terça-feira, o que se traduz em queda expressiva do dólar no Brasil. Os participantes de mercado também citam melhora na margem do ambiente político local e dados que sugerem que o pior momento da crise da pandemia pode estar passando.

Por volta das 14h30, a moeda americana era negociada em queda de 3,15%, a R$ 5,2172. Na mínima do dia, ficou em R$ 5,2062. Caso volte a esse patamar, o dólar irá registrar a maior queda diária desde 8 de junho de 2018, quando um programa massivo de swap cambial anunciado pelo BC levou a moeda a cair 5,5% num único dia.

No exterior, o otimismo trazido pelo noticiário sobre a reabertura e de pacotes de estímulos em países como a Alemanha continuam a garantir a recuperação dos ativos de risco. Separadamente, uma notícia veiculada pelo “Global Times”, de que a China continua comprando soja americana, ajuda a dissipar os temores relacionados à escalada nas tensões envolvendo a autonomia de Hong Kong.

Além do exterior, o mercado digere sinais positivos vindos de Brasília, após o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar pedido de apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro, diz um profissional do mercado.

"Estamos com perspectivas mais claras do ponto de vista político. Além disso, o PMI industrial brasileiro divulgado ontem apontou melhora. Ainda que marginal, ela indica que o pior pode ter ficado para trás", diz Alejandro Ortiz, economista da Guide.

O bom humor lá fora também se reflete sobre o risco-país medido pelos contratos de Credit Default Swap (CDS). Nesta tarde, o spread dos contratos de 5 anos do Brasil era negociados a 254 pontos, menor patamar desde 27 de março, de acordo com dados compilados pela Markit. A queda de 7,2% ante o fechamento de ontem está em linha com o de outras economias emergentes, como México (8,9%), Colômbia (8,4%) e Russia (4,1%)

O alívio no mercado de câmbio contribui para a queda das taxas futuras de juros, em especial as de longo prazo, o que dá apoio à visão de que, com as condições financeiras menos apertadas, o BC pode efetuar um corte de 0,75 ponto percentual na Selic este mês. Com o cenário menos tenso e a melhora nas condições financeiras, a expectativa dos agentes quanto a um corte de 0,75 ponto percentual da Selic tem aumentado e a curva indica 85% de chance de que o juro básico será levado a 2,25% neste mês.

Por volta de 14h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedia de 2,28% no ajuste anterior para 2,25%; a do DI para janeiro de 2022 caía de 3,14% para 3,06%; a do contrato para janeiro de 2023 recuava de 4,23% para 4,11%; a do DI para janeiro de 2025 passava de 5,94% para 5,78%; e a do contrato para janeiro de 2027 ia de 6,91% para 6,76%.

Kiyoshi Ota/Bloomberg