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Dólar oscila em torno da estabilidade, entre cautela externa e dados locais

Marcelo Osakabe
·2 minuto de leitura

O ambiente mais avesso à tomada de risco que permeia os mercados globais nesta segunda-feira é limitado, no Brasil, por um dado melhor que o esperado do mercado de crédito local. Dessa forma, a moeda americana oscila perto da estabilidade contra o real, destoando do comportamento visto frente à maior parte das divisas emergentes. Por volta das 12h50, a moeda americana cedia 0,09%, a R$ 5,6256. No mesmo horário, o dólar subia 0,57% contra o peso mexicano, 0,16% frente ao rublo russo e 0,17% na comparação com o peso chileno. Lá fora, o tom defensivo é apoiado pelo impasse nas negociações sobre o pacote fiscal nos Estados Unidos e as notícias sobre uma possível segunda onda de covid-19 no hemisfério Norte. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para a piora da pandemia em países daquela região. Nos EUA, o número de casos diários segue próximo dos 60 mil, nível não visto desde julho. Na Europa, Espanha e Itália e Irlanda voltaram a reintroduzir medidas de distanciamento social. Além disso, houve também algum impacto negativo após o índice IFO de sentimento das empresas na Alemanha recuar de 93,2 para 92,7 na passagem de setembro para outubro. “O quadro global da covid-19 volta a piorar. Investidores também podem se retrair com a proximidade das eleições americanas. Com pouca ou nenhuma perspectiva de um pacote fiscal antes da eleição, acreditamos que os mercados podem se inclinar a ficar de lado neste momento”, diz o TD Securities em comentário matinal. Internamente, no entanto, houve algum reflexo positivo da Nota de crédito divulgada pelo Banco Central, que mostrou um crescimento de 1,9% do estoque em setembro. As concessões também cresceram 6,5% no período, ao passo que o juro médio e a inadimplência caíram. "O dado de crédito veio melhor que o esperado, sugerindo que economia está de fato se recuperando mais rapidamente que o esperado e também do que temos visto em outras economias latino-americanas", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Mizuho no Brasil. "Com um noticiário político fraco, acredito que este dado possa ter dado alguma contribuição para o câmbio hoje. Ainda assim, o viés do dólar continua sendo de alta, dado o ambiente no exterior." Kiyoshi Ota/Bloomberg