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Dólar opera abaixo de R$ 5,10 com atenção à cena externa

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Divisa dos Estados Unidos se aproxima da marca simbólica de R$ 5 A combinação de forte apetite por risco vindo do exterior e gestos apaziguadores no cenário político local se traduz em mais um dia de queda intensa do dólar no Brasil. Como ontem, a moeda americana cai cerca de 3,0% no Brasil, tornando o real a moeda de melhor desempenho do dia pela segunda sessão consecutiva.

Pouco depos da 15h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,0895, queda de 2,34%. Na mínima intradiária, tocou R$ 5,0171, se aproximando cada vez mais do limiar psicológico dos R$ 5, que foi rompido pela primeira vez em 12 de março.

Os demais pares emergentes também avançam com força neste pregão, mas em intensidade menor.

Ulrich Leuchtmann, estrategista do Commerzbank, nota que além da óbvia melhora do sentimento global em relação ao risco, podem existir outros fatores para o enfraquecimento do dólar. Um deles, diz, pode ser o fato de que o recuo dos temores volta a jogar luz para a vantagem competitiva do dólar na hora de custear estratégias de diferencial de juros. "Isso pode ser algo permanente, uma vez que o Fed não deve elevar juros ao menos até 2022", afirma.

Além disso, houve uma saraivada de dados positivos entre ontem e hoje. Na China, a leitura do PMI de serviços de maio surpreendeu, e muito, os agentes ao subir para 55,0 pontos no mês passado, indicando expansão da atividade, de acordo com a IHS Markit e a Caixin Media. De acordo com os economistas do Goldman Sachs, o indicador “aponta para uma recuperação acelerada da atividade de serviços em maio, já que a disseminação do novo coronavírus parece estar sob controle na maioria das regiões da China e as viagens continuaram a se normalizar”.

No Brasil, também houve surpresa positiva com a produção industrial, que recuou 18,8% em abril. Este é o pior número da série histórica iniciada em 2002, mas também veio acima da mediana de estimativas coletadas pelo Valor Data, de queda de 32,2%.

Paralelamente, também ajuda os sinais de menor tensão entre Executivo e Judiciário. Segundo apurou o Valor, o presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado a baixar a temperatura dos embates com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, na cerimônia de posse do ministro Alexandre de Moraes no TSE, não houve troca de farpas entre o chefe do Executivo e o relator do inquérito sobre Fake News, como muitos temiam. Paralelamente, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, fez uma “visita de cortesia” a Moraes.

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Juros futuros

O otimismo que continua em vigor no exterior e que tem propiciado uma queda generalizada do dólar também provoca uma queda forte das taxas de juros de longo prazo. Já os juros futuros de curto prazo continuam a testar mínimas históricas à medida que novos cortes na Selic permanecem no radar, em um movimento que hoje teve apoio de comentários do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 ia de 2,25% no ajuste anterior para 2,195%; a do DI para janeiro de 2022 cedia de 3,06% para 3,01%; a do contrato para janeiro de 2023 recuava de 4,09% para 4,03%; a do DI para janeiro de 2025 passava de 5,75% para 5,68%; e a do contrato para janeiro de 2027 caía de 6,73% para 6,65%.

Ao participar de um webinar promovido pela America Chamber of Commerce, Fabio Kanczuk defendeu que a forma como o BC olha para o panorama econômico não mudou. “Ainda tem que equilibrar os dois efeitos, a grande queda de demanda, que pede uma Selic menor; de outro lado, um aumento no risco fiscal, significando em aumento de juro neutro, e pede Selic maior. Tem que olhar os dois para decidir.”

O dirigente afirmou, por outro lado, que a indicação feita pelo colegiado em maio de um último corte de 0,75 ponto na taxa básica neste mês, levando-a a 2,25%, não indica que esse nível seja o “lower bound” do juro brasileiro. Segundo ele, esse é o percentual que, dentro das condições econômicas analisadas dentro do arcabouço do regime de metas, o BC concluiu que seria ótimo para a Selic.