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Dados dos EUA ajudam e dólar caminha para forte queda na semana

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Investidores consideram a geração de empregos no território americano em maio, que surpreendeu o mercado A surpresa positiva com a geração de vagas de trabalho nos Estados Unidos em maio intensificou a busca por risco dos mercados globais nesta sexta-feira. No Brasil, o dado foi suficiente para trazer o dólar para baixo de R$ 5 pela primeira vez desde 26 de março.

Por volta das 14 horas, a moeda americana era negociada em queda de 3%, a R$ 4,9760, após mínima de R$ 4,9348. Com isso, o real novamente lidera com folga as maiores valorizações do dia. Atrás dele vem a rupia indonésia, contra o qual o dólar recuava mais de 1%.

Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, houve criação de 2,5 milhões de vagas em maio, o que fez a taxa de desemprego cair de 14,7% para 13,3%. A estimativa dos economistas consultados pelo Wall Street Journal era de fechamento de 8,33 milhões de postos de trabalho e uma taxa de desemprego de 19,5%.

Para o Bank of America, a surpresa pode vir do fato de que o o número de pedidos de seguro desemprego ainda está alto. O que ocorreu é que "o ritmo de contratações saltou de 4,6 milhões para 13,2 milhões, enquanto o ritmo de cortes se manteve em 9,3 milhões. Assim, a criação de vagas superou a destruição delas", escrevem analistas em relatório. Eles alertam, por outro lado, que embora os números desta sexta-feira possam sugerir uma recuperação em 'V' da economia, ainda é impossível prever o formato que a retomada vai adquirir. "O caminho à frente ainda permanece incerto dados os riscos colocados pela pandemia sobre milhões de trabalhadores deslocados."

No Brasil, o dado veio coroar uma semana já fortemente positiva para a moeda brasileira. Apesar de ter fechado em alta em dois dos quatro pregões anteriores, o dólar acumula desvalorização de 7,56% até o momento, caminhando para o melhor desempenho semanal desde outubro de 2008.

Presidente do BGC Liquidez, Erminio Lucci nota que o desempenho recente do real ocorre por uma conjunção de fatores, entre eles a fraqueza do dólar no mundo, o noticiário sobre a reabertura de países severamente afetados pela pandemia da covid-19. No entanto, ele vê maior peso para a melhora do cenário político local, que impediu que o real embarcasse antes na recuperação registrada por outros emergentes como um todo.

"Boa parte da intensidade do movimento desta semana foi porque parte dos players estava mal comprada, acreditando que o cenário político ia continuar piorando. Com a diminuição da tensão entre os Poderes, muitas posições foram zeradas, algumas com lucro, algumas não", diz.

Lucci também credita parte da mudança à comunicação recente dos dirigentes do Banco Central. "Ficou bem claro que o BC deu um recado para os mercados que, acima de R$ 5,50, ele ia ficar mais atento."

Reflexo desse ambiente, o custo do contrato de swap de default de crédito (CDS) de cinco anos do Brasil caiu para 201 pontos no início desta tarde, segundo dados da provedora Markit. Caso termine o dia nesse patamar, será o menor desde 10 de março, quando ficou em 177 pontos.

No mercado de juros futuros, o forte resultado do relatório de empregos americano colocou dúvidas nos agentes quanto à necessidade de estímulos adicionais e fez com que as taxas operassem em alta. O movimento foi apoiado, ainda, por comentários do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, ao dizer que os diretores têm visões diferentes quanto a testar o “lower bound”, limite efetivo mínimo para a taxa de juros.

Por volta de 14 horas, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 2,17% no ajuste anterior para 2,195%; a do DI para janeiro de 2022 subia de 3,01% para 3,10%; a do contrato para janeiro de 2023 avançava de 4,07% para 4,18%; a do DI para janeiro de 2025 saltava de 5,71% para 5,82%; e a do contrato para janeiro de 2027 ia de 6,71% para 6,76%.

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