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Dólar comercial oscila na casa de R$ 5 com recuperação no exterior

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

É o terceiro dia sem novas intervenções do Banco Central no câmbio A bateria de estímulos anunciada por bancos centrais e governos de todo o mundo ajuda os mercados globais a recuperar o sentimento de risco pelo terceiro pregão seguido nesta quinta-feira, levando a uma valorização da maior parte das moedas emergentes e ligadas a commodities. Às 13h40 a moeda americana cedia 0,14%, a R$ 5,0245, em pregão bastante volátil. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 4,9728 e, na máxima, a R$ R$ 5,0647.

“Enquanto a cura para a pandemia não chega, segue o trabalho dos Bancos Centrais buscando dar funcionalidade aos mercados. O BCE reduziu os limites sobre compras de títulos de qualquer país da zona do euro, abrindo caminho para uma impressão potencialmente ilimitada de dinheiro em resposta ao coronavírus” nota Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora.

Em relatório, o ING nota que, mesmo que o sentimento de risco tenha vacilado durante a madrugada, a volatilidade de moedas emergentes se mantém em queda em relação aos picos da semana passada. “Isso não significa que os riscos negativos acabaram - o pacote fiscal dos Estados Unidos, aliás, nos parece completamente precificado neste momento -, apenas que o mercado de moedas parece próximo de deixar o período de movimentos agudos e indiscriminados, onde o dólar se valorizava ou desvalorizava abruptamente”, dizem estrategistas do banco holandês.

No exterior, o dólar também ampliou perdas contra emergentes, com baixa de mais de 3% contra o peso mexicano e de mais de 2% na comparação com o peso colombiano.

O dólar cede ainda contra divisas de países desenvolvidos, influenciado também pelo salto nos pedidos auxílio-desemprego, que chegaram a 3,283 milhões na semana encerrada em 21 de março. O número é mais de quatro vezes maior do que o recorde anterior, de 695 mil, em outubro de 1982. O consenso do mercado indicava aumento de 1 milhão de pedidos.

O gerente da Mesa de Operações BMF da Planner Corretora, Marcio Simões Rodrigues, avalia que o próximo suporte técnico do dólar futuro está no patamar de R$ 4,97. “Passando este patamar, é possível que recue com mais força pelo menos até amanhã”, avalia.

O alívio relativo do mercado de câmbio local faz com que este seja o terceiro dia sem novas intervenções do Banco Central (BC) - ontem, o leilão de US$ 3,3 bilhões em operações de linha ocorreu em rolagem do mês de abril. Há pouco, em coletiva de imprensa para comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou a separação entre política monetária e cambial e defendeu a política de intervenção adotada pela atual gestão. "

A política de intervenção visa garantir liquidez, entendemos que a estratégia tem sido um sucesso", diz o dirigente, ressaltando que o real se manteve em linha com o comportamento de outras moedas no período recente.O dólar comercial operava em queda moderada nesta quinta-feira, depois de uma abertura positiva, com ajuda do exterior, onde os mercados globais vivem novo dia de recuperação.

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No mercado de juros futuros, o salto recorde dos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos e os dados cambaleantes de atividade no Brasil antes mesmos dos impactos do novo coronavírus fortificaram o cenário de juros em níveis baixos por um período prolongado.

Por volta de 13h40, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 se passava de 3,41% para 3,455%; a do DI para janeiro de 2022 recuava de 4,50% no ajuste anterior para 4,36%; a do contrato para janeiro de 2023 caía de 5,89% para 5,63%; e a do DI para janeiro de 2025 cedia de 7,46% para 7%.