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Dólar ganha força e supera R$4,21 após déficit em conta corrente pior que o esperado

Por Luana Maria Benedito

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de rondar a estabilidade pela manhã, o dólar subia contra o real nesta segunda-feira, com o resultado pior do que o esperado dos dados sobre transações correntes ofuscando o otimismo renovado em relação às negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Às 12:06, o dólar avançava 0,31%, a 4,2060 reais na venda.

Na sexta-feira, o dólar interbancário fechou quase estável, a 4,1929 reais.

O dólar futuro de maior liquidez operava em alta de 0,24% neste pregão, a 4,2090 reais.

A moeda norte-americana iniciou o pregão estável, devido a notícias positivas sobre a prolongada guerra comercial entre EUA e China. Nesta segunda-feira, o Global Times, tabloide comandado pelo oficial People's Daily, do Partido Comunista chinês, afirmou que os dois países estão muito próximos da "fase um" de um acordo comercial.

O veículo acrescentou que a China também permanece comprometida em continuar as negociações para a fase dois e mesmo a fase três de um acordo com os EUA, citando especialistas próximos do governo chinês.

No entanto, o otimismo comercial era ofuscado pela notícia de que o Brasil teve déficit em transações correntes de 7,9 bilhões de dólares em outubro, somando em 12 meses um saldo negativo equivalente a 3,0% do Produto Interno Bruto (PIB), o que levou o dólar a 4,2142 reais na máxima do dia.

O dado veio pior que a expectativa em uma pesquisa da Reuters com analistas, de rombo de 5,475 bilhões de dólares. No mês, os investimentos diretos no país (IDP) somaram 6,8 bilhões de dólares, também abaixo da projeção de analistas de 7,5 bilhões de dólares. [BRCURA=ECI][BRFDI=ECI]

"(As notícias otimistas sobre o comércio) deveriam gerar um movimento de queda do dólar no Brasil, mas aí saíram esses dados sobre conta corrente abaixo do esperado", explicou Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

O real tinha o segundo pior desempenho ante o dólar dentre 33 divisas nesta sessão, mas alguns rivais do real também perdiam terreno, como lira turca, rand sul-africano e peso mexicano.

Mesmo com o dólar em torno de recordes históricos, o Banco Central tem mantido a estratégia de intervenção no câmbio já em curso. A autoridade monetária vendeu todos os 15.700 contratos de swap cambial tradicional em rolagem do vencimento janeiro 2020. Mais cedo, o BC não havia aceitado propostas em leilão de dólar à vista e de swap cambial reverso.

Também nesta segunda, a autarquia fez a rolagem integral de 1,5 bilhão de dólares em linha de moeda com compromisso de recompra, volume que até então precisaria voltar ao BC no começo de dezembro.