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Dólar cai 1% ante real após disparada recente, com eleições e dados dos EUA em foco

Pessoa segura notas de dólar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar aprofundava as perdas frente ao real nesta quinta-feira para cerca de 1%, com a moeda perdendo fôlego depois de disparar no início da semana, conforme investidores monitoravam o noticiário político doméstico e reagiam positivamente a dados econômicos dos Estados Unidos.

Às 10:12 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,00%, a 5,3281 reais na venda. Alguns investidores atribuíram a forte depreciação da moeda norte-americana a movimento de ajuste, depois que a divisa disparou 4,52% no acumulado dos três últimos pregões. É natural, após fortes oscilações, haver momentos de correção no sentido oposto.

Na B3, às 10:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,09%, a 5,3300 reais.

Ao mesmo tempo, participantes do mercado digeriam comentários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto, que disse nesta quinta-feira que, se vencer o segundo turno da eleição presidencial no domingo, seu ministro da Economia será alguém que tenha responsabilidade tanto fiscal quanto social.

O petista já havia dito mais cedo nesta semana que a responsabilidade fiscal faz parte de sua concepção de governo, em aparente tentativa de tranquilizar os mercados sobre seu compromisso com a solidez das contas públicas.

Agentes do mercado também reagiam a dados domésticos que mostraram queda da taxa de desemprego a 8,7% no terceiro trimestre, menor patamar desde 2015.

Enquanto isso, no exterior, investidores avaliavam dados econômicos norte-americanos que mostraram crescimento maior do que o esperado nos Estados Unidos no terceiro trimestre. Os futuros de Wall Street [.NPT] passaram a subir acentuadamente na esteira dos números, enquanto o índice do dólar frente a uma cesta de pares fortes moderou ligeiramente seus ganhos, embora ainda subisse 0,75%.

A leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA "encerra a discussão sobre se já havia recessão por lá", disse em publicação no Twitter Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

Ao mesmo tempo que afastaram temores sobre a saúde da maior economia do mundo, os dados não minaram as esperanças de que o Federal Reserve desacelerará seu ritmo de aperto monetário a partir de dezembro, com os mercados continuando a apostar numa alta de juros de 0,50 ponto percentual no final do ano, após provável ajuste de 0,75 ponto em novembro.

Investidores digeriam a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir suas taxas de juros em 0,75 ponto percentual, amplamente em linha com as expectativas.

No Brasil, o Copom manteve a taxa Selic em 13,75% na quarta-feira, confirmando projeções do mercado.

Na véspera, a divisa norte-americana spot ganhou 1,16%, a 5,3821 reais na venda, maior cotação de fechamento desde 30 de setembro (5,3941 reais).