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Dólar ganha terreno em sessão volátil com PEC e alerta do BC sobre fiscal em foco

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava frente ao real nesta quinta-feira em meio a negociações instáveis, com investidores ajustando posições após perdas recentes da moeda, acompanhando a tramitação da PEC da Transição e digerindo o comunicado de política monetária do Banco Central, que trouxe alertas fiscais ao governo eleito.

Por volta de 10h15 (de Brasília), o dólar à vista subia 0,21%, a 5,2175 reais na venda. A moeda mostrava alguma instabilidade no ritmo de ganhos, e mais cedo chegou a subir 0,90%, a 5,2535 reais.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,19%, a 5,2420 reais.

Segundo Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital, parte dos ganhos do dólar nesta manhã parece estar relacionada a um ajuste após quedas recentes. A moeda norte-americana à vista recuou cerca de 1,5% no acumulado das duas últimas sessões.

Ele também citou algum desconforto de investidores com o cenário doméstico, depois que o Senado aprovou na quarta-feira em dois turnos e por ampla margem de votos a PEC da Transição, que expande por dois anos o teto de gastos em 145 bilhões de reais para o pagamento do Bolsa Família de 600 reais.

O texto, que agora segue para a Câmara, foi reduzido em relação à proposta inicial do governo eleito, mas ainda embute um valor visto por participantes do mercado como exagerado e provavelmente danoso para a credibilidade fiscal do país.

Colaborava para o clima de cautela o alerta do Banco Central emitido em seu comunicado de política monetária na véspera, quando a autarquia disse que há elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e ressaltou que acompanhará com atenção o quadro das contas públicas.

"O impacto da expansão de gastos propostos na PEC ainda em tramitação pode resultar em inflação mais persistente e acima da meta por mais tempo, impedindo o início do afrouxamento monetário nos próximos meses", disse em relatório Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, em resposta à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

"A ausência de uma proposta de novo arcabouço fiscal deixa mais incerteza no cenário e pode desancorar as expectativas de inflação no médio e longo prazo. O BC deve seguir com cautela no atual cenário, e sua autonomia pode significar que a resposta para uma política fiscal mais expansionista implique em maior restrição monetária para contrabalancear."

Em seu último encontro, o BC manteve a taxa Selic no atual patamar de 13,75%. Embora juros altos sejam vistos como possível fator de apoio para o real, também tendem a restringir o crescimento econômico do país, um fator que é levado em consideração para decisões de investimento de agentes estrangeiros, assim como o nível de ancoragem das expectativas de inflação.

Na véspera, a moeda norte-americana negociada no mercado interbancário fechou em queda de 1,23%, a 5,2065 reais, patamar de encerramento mais baixo desde quinta-feira passada (5,1979).