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Dólar fecha a R$ 5,2560 e Bolsa cai quase 2% com crise política e variante delta

·4 minuto de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro no Brasil passa por uma reviravolta neste início de julho. A CPI da Covid, a reforma do Imposto de Renda, as pressões inflacionárias e o aumento do risco global com a disseminação da variante delta do coronavírus e com mudanças em políticas monetárias deixaram os ganhos do real e da Bolsa em junho para trás.

O otimismo em torno de dados econômicos melhores, que levaram o dólar a R$ 4,905 e a um recorde do Ibovespa aos 130.776 pontos no mês passado, deram lugar à aversão a risco. Julho já opera com o dólar tocando os R$ 5,31 no pregão e com o Ibovespa a 125 mil pontos.

Até o momento, o real é a moeda que mais se desvaloriza no mês, depois de ser a segunda que mais ganhou valor ante o dólar em junho, atrás apenas do dram armênio.

Segundo analistas, a evolução da CPI tem elevado o risco político, o que acarreta um cenário mais desafiador para a economia brasileira, já ameaçada pela alta nos preços da conta de luz e dos combustíveis, elevando previsões para a inflação.

Nesta quinta-feira (8), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que, puxado pela energia elétrica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve variação de 0,53% em junho, abaixo do esperado pelo mercado. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam alta de 0,59%.

Mesmo com a desaceleração em junho, o IPCA chegou a 8,35% no acumulado de 12 meses, ampliando a distância em relação ao teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 5,25%.

O mercado espera uma nova aceleração nos próximos meses dado os reajustes de combustíveis e energia elétrica, devido à crise hídrica.

Ao fim do ano, a expectativa é de desaceleração devido à queda dos preços das commodities e ao fim do impacto da elevação do custo das tarifas, diz a equipe do Inter Research, que espera um aumento de 0,75 ponto percentual na reunião de política monetária do BC em agosto.

Caso a inflação siga em alta, a autoridade pode subir ainda mais a Selic, o que tende a beneficiar o real e prejudicar o mercado de renda variável, dado que a renda fixa fica mais atrativa.

Já Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, vê um aumento nas apostas de uma alta de 1 ponto percentual na Selic em agosto, ao passo que o mercado já precifica que a taxa chegará em 7% ainda este ano. Hoje, a Selic está a 4,25% ao ano.

Juros mais altos no Brasil tendem a beneficiar o real por estratégias de carry trade. Elas consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo (como o dólar) e compra de contratos futuros da divisa de juro maior (como o real). O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

Em sua oitava alta seguida, o dólar subiu 0,34%, para R$ 5,2560, depois de ir a R$ 5,3140 na máxima da sessão. A moeda americana perdeu força após intervenção do Banco Central.

A autoridade fez o primeiro leilão de swaps cambiais tradicionais desde 12 de março, quando o dólar estava na casa de R$ 5,55. Foram ofertados 10 mil contratos (US$ 500 milhões).

O swap permite a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros. No caso do swap cambial tradicional ofertado pelo BC, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros (cupom cambial). Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic.

O objetivo do BC ao recorrer a esse instrumento é evitar movimento disfuncional do mercado de câmbio, provendo "hedge" cambial -proteção contra variações excessivas da moeda norte-americana em relação ao real- e liquidez aos negócios. A colocação de contratos de swap tradicional pelo BC, portanto, funciona como injeção de dólares no mercado futuro de dólar.

Na semana, a moeda subiu 4% ante o real, a maior alta para o período desde março. No ano, há alta de 1,35%.

Além do ruído doméstico, no exterior investidores também estão mais receosos, dada a rápida disseminação da variante delta. A proibição de público nos Jogos Olímpicos de Tóquio devido ao aumento de casos no país e a decretação de novo estado de emergência na cidade nesta quinta corroborou para o aumento da preocupação de investidores.

O Ibovespa chegou a cair 2,13% no pior momento desta quinta, mas fechou em queda de 1,25%, a 125.427,77 pontos. Na semana, caiu 1,72%, pior desempenho para o período desde a última semana de fevereiro, quando o índice despencou 7%.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caíram 2% nesta quinta, em sessão de queda dos preços do petróleo no exterior. A desvalorização se deu mesmo após o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, afirmar que não houve nem haverá interferência externa no ritmo dos ajustes de preços de combustíveis.

Nos Estados Unidos, os índices S&P 500 e Nasdaq cederam 0,86% e 0,72%, respectivamente, depois de renovarem a pontuação recorde na véspera. O Dow Jones fechou em queda de 0,75%.

Nesta sexta (9), é feriado em São Paulo, e a Bolsa de Valores não funcionará.

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