Dólar fecha a R$ 2,094, maior cotação em 3 anos e meio

Na volta dos negócios no Brasil, após dias de baixa liquidez devido aos feriados, o dólar se valorizou ante o real e se aproximou do patamar de R$ 2,10. Apesar disso, o Banco Central (BC) se manteve fora do mercado e o governo demonstrou tranquilidade com os movimentos mais recentes no câmbio. Durante a tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que "a flutuação é normal, mas com os feriados aqui no Brasil este efeito não foi diluído (ao longo dos dias)". Ao mesmo tempo, os dados do fluxo cambial mostraram entrada de dólares no País em novembro, até o dia 16, o que em tese alivia a posição técnica vista no mercado no fim de outubro.

Ao fim da sessão, o dólar à vista mostrou alta de 0,43% no balcão, cotado a R$ 2,0940, no maior patamar de fechamento desde 15 de maio de 2009, quanto estava em R$ 2,1100. A moeda operou em alta durante todo o dia e, na máxima da sessão, chegou a ser cotada a R$ 2,0990 no balcão, o maior patamar intraday desde 23 de maio de 2012, quando marcou R$ 2,1030.

O volume de negócios também foi consistente, após o feriado desta terça-feira em algumas praças importantes para o mercado de câmbio, como São Paulo e Rio de Janeiro, e antes do feriado de amanhã nos Estados Unidos, do Dia de Ação de Graças. Profissionais ouvidos pela Agência Estado afirmaram que, como os negócios diminuíram no Brasil nos últimos dias e haverá nova parada amanhã nos Estados Unidos, os investidores aproveitaram esta quarta-feira para recuperar o tempo perdido.

Por volta das 17h30, o giro financeiro à vista somava US$ 2,592 bilhões. Na BM&F, o dólar pronto fechou em alta de 1,45%, a R$ 2,096, com seis negócios. Às 17h27, o dólar para dezembro de 2012 era cotado a R$ 2,101, com ganho de 0,74%.

O ambiente externo ruim pela manhã, que deu sustentação ao dólar em relação a outras moedas de países emergentes, também trouxe uma pressão de alta para a moeda americana ante o real. O impasse em relação à liberação de mais recursos para a Grécia e os receios com a situação de abismo fiscal que pode atingir os Estados Unidos no início de janeiro, caso o Congresso norte-americano não chegue a um acordo, estiveram no centro das preocupações.

Este cenário impulsionou o dólar ante o real, mas profissionais ressaltaram que a alta foi influenciada por um componente especulativo. "Nas últimas semanas, a posição técnica (do mercado) melhorou, porque tivemos fluxo (cambial) positivo. O fluxo cambial, na verdade, não justifica o movimento de alta do dólar ante o real nos últimos dias", comentou o economista Alfredo Barbutti, da BGC Liquidez Corretora.

Dados divulgados pelo BC mostraram que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 3,514 bilhões entre os dias 1º e 16 de novembro. O resultado foi puxado pelas operações financeiras, que responderam por uma entrada líquida de US$ 2,441 bilhões no período. No comércio exterior, o saldo ficou positivo em US$ 1,072 bilhão no mesmo período. No acumulado do ano até dia 16 deste mês, o fluxo cambial registra entrada líquida de US$ 22,146 bilhões.

Com a aproximação do dólar do patamar de R$ 2,10, o mercado ficou à espera de uma atuação do Banco Central. Porém, a autoridade monetária ficou novamente de fora dos negócios, o que leva alguns operadores a ressaltarem a possibilidade de o BC estar, na verdade, confortável com a alta da moeda. Essa percepção foi ampliada após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliar que a alta do dólar para patamares de R$ 2,10 é normal e decorre de movimentos de mercado que têm afetado diversas moedas ao redor do mundo. "O câmbio está flutuando. Assim como o real se desvalorizou, todas as outras moedas também caíram em relação ao dólar", disse o ministro.

Mantega creditou os movimentos cambiais à apreensão dos agentes de mercado em relação à situação atual e ao futuro das economias europeia e americana. "As perspectivas não são muito promissoras e isso deixou os mercados nervosos", completou.

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