Dólar fecha a R$ 1,986, menor cotação desde maio/2012

As preocupações do Banco Central (BC) com a inflação, traduzidas pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelo leilão de swap cambial tradicional feito na sessão anterior, fizeram o dólar declinar nesta terça-feira para a menor cotação de fechamento desde 28 de maio do ano passado. A percepção dos investidores é que a autoridade monetária está, neste momento, mais preocupada com a alta de preços do que com o setor exportador, o que abriu espaço para um dólar abaixo de R$ 2,00. A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 0,80%, cotada a R$ 1,9860.

Durante todo o dia no mercado de balcão, o dólar ficou abaixo dos R$ 2,00 - um patamar que, por vários meses, foi considerado piso para a moeda. Na máxima da sessão, vista no início do dia, o dólar marcou R$ 1,9970 (-0,25%) e, na mínima, perto das 15h30, atingiu R$ 1,9840 (-0,90%). Às 17h30 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,793 bilhões. O dólar pronto da BM&F, com 13 negócios, fechou em baixa de 1,56%, a R$ 1,9851. No mercado futuro, o dólar com vencimento em fevereiro era cotado a R$ 1,9855, em baixa de 0,55%.

A queda do dólar ainda refletiu a atuação do BC, que na segunda-feira (28) fez leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) em um total de US$ 1,847 bilhão, rolando o vencimento marcado para sexta-feira (01). A atuação dos investidores que estão vendidos no mercado futuro também contribuiu para o movimento. Na quinta-feira (31), será definida a Ptax para a liquidação dos derivativos cambiais no início do próximo mês e, até lá, os investidores que estão vendidos atuam para que a moeda americana se deprecie. Nesta terça-feira, a Ptax fechou em R$ 1,9912, menor patamar desde 3 de julho de 2012, quando ficou em R$ 1,9888.

Para alguns analistas, o recuo do dólar ante o real - para abaixo de R$ 2,00 e sem que o BC atue para sustentar a moeda - deixa claro que a preocupação, agora, é com a inflação. "No ano passado, quando o dólar algumas vezes ameaçou cair para abaixo de R$ 2,00, o BC interveio na compra, elevando a moeda", lembrou o economista Alfredo Barbutti, da BGC Liquidez Corretora, para quem a perspectiva mudou. "Em 26 de dezembro, o BC fez leilões de linha (venda de moeda com compromisso de recompra) e de swap cambial, o que reconduziu a moeda para o patamar de R$ 2,05 (no balcão). Agora, é como se ele estivesse em um segundo movimento, ratificando a preocupação de dezembro com a inflação."

Profissionais ouvidos pela Agência Estado afirmam que o piso de R$ 2,00, antes considerado essencial pelo governo para impulsionar o setor exportador e a indústria, virou teto, em meio à perspectiva de que o câmbio sirva para controlar a inflação. Para o governo, as oscilações são normais. "É normal que quando haja uma grande entrada de dólares ele caia um pouco. Ou o inverso. Todos esses movimentos são normais. O que eu acho importante é que o patamar em que as coisas se encontram seja claramente estabelecido", comentou nesta tarde o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que qualificou o câmbio brasileiro como "variável e sujo".

Para Augustin, o patamar do dólar, da Selic e da energia estão muito bem estabelecidos no Brasil. "O patamar para mim é claro. O dólar é mais (alto) do que já foi, a Selic é mais baixa do que já foi e, no caso da energia, há uma redução de 22%", acrescentou.

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