Dólar fecha em queda e BC segue fora do mercado

O mercado financeiro voltou a testar a disposição de o Banco Central (BC) manter o dólar acima do piso informal de R$ 1,95. Após declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, de que a postura da instituição quanto à Selic será ajustada quando necessário, investidores interpretaram que o dólar vai continuar servindo de instrumento para conter o avanço da inflação. Neste cenário, prevaleceu a pressão de baixa do dólar ante o real, em um movimento que foi reforçado pelo exterior, onde a moeda norte-americana também perdeu espaço ante o euro e divisas de países exportadores de commodities. No fim do dia, o dólar mostrou queda de 0,41%, cotado a R$ 1,9550, sem que o BC tenha atuado.

Na máxima do dia, perto das 9h20, a moeda dos EUA foi cotada a R$ 1,9660 (+0,15%) no balcão e, na mínima, por volta das 15h10, a R$ 1,9540 (-0,46%). Da máxima para a mínima, o dólar oscilou -0,61%. Perto das 16h30, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 3,050 bilhões. O dólar pronto da BM&F fechou a R$ 1,9560 (-0,31%), com apenas oito negócios.

Apesar de o dólar ter operado na faixa de R$ 1,95, o BC ficou fora dos negócios. Na sexta-feira (15), quando a divisa chegou a R$ 1,9520, a autoridade monetária fez um leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro), segurando a queda no mercado à vista. No último dia 8, a mesma operação foi feita quando a moeda atingiu R$ 1,9530.

As duas atuações anteriores reforçaram a ideia, entre os investidores, de que o piso informal para a moeda, pelo menos por enquanto, estaria próximo de R$ 1,95. "O BC já entrou duas vezes no mercado com o dólar neste patamar e é bem provável que possa anunciar alguma coisa novamente", comentou um profissional quando os negócios no mercado à vista ainda estavam abertos.

"Com o dólar no nível de R$ 1,95, o pessoal está testando o BC. Apesar de o (ministro da Fazenda), Guido Mantega, falar que o juro é que vai controlar a inflação, e não o câmbio, a pressão continua mais vendedora (de dólares). Não dá mais para vislumbrar um dólar tão próximo de R$ 2,00", disse no fim do dia um operador de um grande banco, para quem a posição vendida das instituições financeiras no mercado futuro também pressiona. Às 17h14, o dólar para março era cotado a R$ 1,9575, em baixa de 0,46%.

Nesta manhã, Tombini afirmou que "a Selic oscilará em patamares mais baixos do que no passado", mas salientou que "isso não significa que os ciclos monetários foram abolidos". Na visão de alguns analistas, a fala de Tombini reforçou a percepção de que o dólar é uma ferramenta importante para controlar os preços.

Segundo Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez Corretora, o movimento do dólar no exterior - de queda em relação ao euro e a outras moedas ligadas a commodities - também justifica a baixa em relação ao real. Às 17h10 (horário de Brasília), o euro era cotado a US$ 1,3391, ante US$ 1,3352 do fim da tarde da véspera. O dólar norte-americano caía 0,47% ante o dólar australiano e recuava 0,34% ante o neozelandês. Em relação ao dólar canadense, a moeda dos EUA tinha leve alta de 0,11%.

Carregando...