Dólar fecha perto da mínima com medida e leilões do BC

O dólar fechou nesta terça-feira a R$ 2,089, com queda de 0,33%, pouco acima da mínima de R$ 2,086, em um dia de elevada volatilidade. O Banco Central (BC) usou mais uma ferramenta para abrandar a valorização do dólar neste fim de ano, período em que as companhias intensificam as remessas para pagamentos ao exterior. A ampliação no limite de posição vendida em dólares livre de compulsório para as instituições financeiras, apresentada em circular do BC, somou-se a três leilões de venda de dólares conjugada com recompra na parte da manhã.

O recuo do dólar também foi influenciado pelo sentimento mais positivo no exterior, alimentado pela expectativa em torno das negociações nos Estados Unidos, com objetivo de evitar o abismo fiscal, o que impulsionou as Bolsas em Nova York, estimulando o apetite por risco.

A alteração implementada pelo BC "foi a quarta mudança (ligada ao câmbio) neste mês", citou a diretora de estratégia cambial para a América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), Flávia Cattan-Naslausky, sobre a alteração no compulsório para posições vendidas. A analista refere-se às ações do governo (BC e Fazenda) a partir do último dia 3, iniciadas com a retomada dos leilões de linha - como são conhecidos os leilões de venda conjugada com recompra -, ampliação do prazo das operações de pagamento antecipado (PA) de exportações, redução do prazo de empréstimos externos tributados com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% e, nesta terça-feira, a extensão de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões do limite de posição vendida em dólar livre de depósito compulsório para instituições financeiras.

"Há claramente preocupação com vencimento de dívida e liquidez no final do ano. Fizeram mudanças para dar alívio e apoio ao setor corporativo. São medidas específicas para liquidez ao final do ano, quando há acumulação de pagamento de obrigações (dívidas)", acrescentou Flávia.

O economista para América Latina do Standard Chartered Bank, Italo Lombardi, avalia que a reversão nesta sessão, ante o que havia sido estabelecido em janeiro de 2011, pretende segurar a valorização do dólar. "Busca-se evitar depreciação muito rápida em espaço de tempo muito curto para que não haja efeito ruim sobre inflação. (O BC) está confortável com inflação, mas monitora de perto o efeito de ultrapassagem do câmbio para a inflação", citou.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, ponderou que, neste momento, a revisão de várias medidas tem como objetivo dar mais liquidez e fluidez ao mercado de câmbio.

Pela manhã, nos três leilões de venda de dólar com recompra, a taxa de venda ficou em R$ 2,0984. As taxas de recompra ficaram em R$ 2,1083, em 22 de janeiro, em R$ 2,1163, em 19 de fevereiro, e R$ 2,1268, em 20 de março, incorporando, respectivamente, elevação de 0,47%, 0,85% e 1,35% ante o valor da taxa de venda.

A oscilação do dólar foi intensa, marcando 0,72% da mínima para a máxima do dia, de R$ 2,1010, no mercado à vista de balcão. Em grande medida, o movimento da moeda norte-americana ante o real, acompanhou a direção no exterior. O giro financeiro somava US$ 2,560 bilhões em torno das 16h20. Na BM&F, não houve negociação com o dólar spot. No mesmo horário, o dólar para janeiro de 2013 recuava 0,55%, para R$ 2,0915.

Quanto ao fluxo cambial, a saída de dólares do País supera a entrada em US$ 4,215 bilhões em dezembro, segundo dados do Banco Central até o dia 14. No comércio exterior, há saldo negativo de US$ 2,567 bilhões e, nas operações financeiras, o resultado está negativo em US$ 1,648 bilhão.

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