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Dólar fecha em R$5,40 e bate máxima em 3 semanas com tensão externa

Por José de Castro
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Homem observa telas com cotações em casa de câmbio no Rio de Janeiro (RJ)
Homem observa telas com cotações em casa de câmbio no Rio de Janeiro (RJ)

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou na máxima em três semanas contra o real nesta segunda-feira, afetado por aguda aversão a risco nos mercados globais em meio a temores de novas restrições econômicas por causa do coronavírus, com incertezas eleitorais nos EUA também aumentando a apreensão dos agentes financeiros.

A moeda norte-americana, contudo, terminou a sessão longe da máxima do dia --quando saltou 2,26%, para 5,4984 reais--, conforme deixou os picos também frente a outras divisas emergentes, como peso mexicano e rand sul-africano.

O real já vinha de perda expressiva na sexta, quando o dólar saltou 2,8%, o que conteve o movimento de apreciação desta segunda.

O dólar à vista subiu 0,43%, a 5,4000 reais na venda. É o maior patamar desde 31 de agosto (5,4807 reais).

Na mínima desta sessão, atingida na parte da tarde, a moeda marcou 5,3888 reais, ainda em alta de 0,23%.

O índice do dólar ante uma cesta de divisas fortes saltava 0,65% no fim da tarde, a caminho da maior valorização diária em um mês.

O mercado demandou a segurança da moeda dos Estados Unidos em meio a notícias de que o Reino Unido está considerando um segundo lockdown nacional, enquanto Dinamarca, Grécia e Espanha introduziram novas restrições à atividade. O ministro da Saúde da Alemanha disse que a elevação de novas infecções em países como França, Áustria e Holanda é preocupante.

Reforçando o nervosismo, a campanha presidencial dos EUA foi suspensa no fim da sexta-feira, depois da morte da juíza Ruth Bader Ginsburg, que integrava a Suprema Corte dos EUA e era tida como um ícone progressista. Os EUA realizarão eleições presidenciais em 3 de novembro.

O Citi disse que passou a ficar "mais negativo" em relação a moedas emergentes à medida que se aproxima a eleição norte-americana. Peso mexicano (-1%), rand sul-africano (-2,5%), peso colombiano (-1,7%) e peso chileno (-1,5%) estavam entre as moedas de pior desempenho nesta sessão.

O humor geral também foi afetado na sessão por reportagem sobre como vários bancos globais movimentaram grandes somas de fundos supostamente ilícitos ao longo de quase duas décadas.

O que preocupa é que fatores externos pegam o mercado de câmbio num momento já delicado devido a desconfianças do lado doméstico, com o turvo cenário fiscal e para reformas levando operadores a alvejar ativos de renda fixa, o que contamina o sentimento para o real e a bolsa.

A taxa do contrato de DI para janeiro 2025 disparou 23 pontos-base na máxima do dia, depois de na sexta ter voado 37 pontos-base entre o pico e o fechamento do pregão anterior, indicativo da forte volatilidade no mercado de juros pelo receio sobre as contas públicas.

Até o meio da semana passada --quando a tensão no mercado de renda fixa ainda não havia se agravado--, o real vinha de cerca de três semanas de ganhos ante o dólar. Nesse período, a moeda brasileira valorizou-se 7,27%.

Porém, o humor do mercado virou conforme os preços na renda fixa se deterioraram diante de pressão nas negociações com títulos públicos, derivada de dúvidas sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública.

"O rali do real foi justificado, em nossa visão, por renovado impulso sobre a agenda de reformas. Contudo, acreditamos que essa reavaliação está de forma apropriada nos preços e encerramos o 'trade' de compra de real", disseram analistas do Bank of America em relatório recente.