Dólar fecha estável sob impacto de acordo nos EUA

O dólar abriu o primeiro dia útil de 2013 em declínio, mas o recuo foi perdendo fôlego ao longo da quarta-feira e a moeda fechou estável, cotada a R$ 2,0450, na máxima do dia no mercado de balcão. A permanência da divisa no terreno negativo em grande parte desta quarta-feira teve a influência do acordo para evitar o abismo fiscal alcançado pelo Congresso norte-americano, que estimulou o apetite por ativos de risco.

Ao longo do dia, o recuo apresentando pelo dólar ante o real foi mais brando do que o registrado por divisas de elevada correlação com os preços das commodities. O entendimento no mercado é de que a queda da divisa norte-americana em relação à brasileira está sendo limitada pela percepção de que um piso informal da moeda pode estar oscilando em torno de R$ 2,03 ou perto disso, no nível atual de negociação.

"Se o BC ficar longe, os investidores vão testar níveis mais baixos do dólar nos próximos dias rumo a R$ 2,00", estimou um operador, citando que o objetivo é verificar qual o piso informal desejado pela autoridade monetária. "A percepção sobre piso e teto segue limitando os movimentos da moeda", observou. A visão de que o piso informal não está muito distante dos níveis atuais do dólar, de acordo com outro profissional, pode ser confirmada pela oscilação do dólar para fevereiro de 2012, que oscilou entre R$ 2,040 e R$ 2,0565 até este horário, ao manter-se no terreno negativo, mas sem romper para R$ 2,03.

A perda de intensidade da queda do dólar ante o real ocorreu em linha com o movimento da divisa dos EUA em relação às moedas de elevada correlação com os preços das commodities. Perto das 12h30, o dólar norte-americano caia 1,23% ante o australiano e perdia 1,25% ante o neozelandês. Já próximo das 16h22, o recuo da moeda dos EUA havia sido abrandado para 0,98% ante o dólar australiano e para 0,56% em comparação ao neozelandês. Da mesma forma, o dólar Index saiu de uma queda de 0,30% para +0,14%, na mesma faixa de horário citada.

Na semana passada, intervenções do Banco Central tiraram o dólar do patamar de R$ 2,077, no dia 24, conduzindo a moeda para R$ 2,045 no encerramento de 2012, o que representa mudança sensível no patamar de negociação. A moeda norte-americana inicia 2013 dentro deste último nível de oscilação. Logo na abertura, o dólar tocou R$ 2,0370, com queda de 0,39%, na cotação mínima do dia.

Nos Estados Unidos, o acordo na arena fiscal afasta o fantasma da recessão no país e animou a tomada de risco. "Os investidores como um todo percebem esta notícia como favorável e fortaleceram o apetite por risco, levando ações para alta acentuada e vendendo dólar e iene", disse o diretor global para estratégia de moedas do Brown Brothers Harriman, Marc Chandler.

Alguma calmaria é esperada nos próximos dias, no que concerne principalmente o cenário doméstico. "Algumas empresas (que utilizam operações com câmbio) retomam operações apenas no dia 7, outras ainda na semana seguinte", observou o diretor da Fourtrade Corretora de Câmbio, Luiz Carlos Baldan.

Na BM&F, o dólar pronto fechou a R$ 2,0450, com recuo de 0,32%, e um negócio (dado preliminar). O giro financeiro à vista na clearing da Bolsa estava em US$ 1,826 bilhão perto das 16 horas.

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