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Dólar fecha em R$5,39 e acumula forte queda na semana com Biden próximo da vitória

Por Luana Maria Benedito
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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em forte queda contra o real nesta sexta-feira, acumulando uma perda de 6,1% na semana, com investidores voltando a buscar ativos de risco em meio às perspectivas cada vez maiores de uma vitória de Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos.

O candidato democrata à presidência passou a ter vantagem sobre o presidente republicano Donald Trump na apuração dos votos nos Estados da Geórgia e da Pensilvânia nesta manhã, quando já acumulava 253 votos contra 214 no Colégio Eleitoral que decide o vencedor da eleição. São necessários 270 votos para vencer a disputa.

Em Nevada, com 92% das urnas apuradas, o candidato democrata também estava na liderança, com 49,8% dos votos.

Biden, de 77 anos, se tornará o próximo presidente se vencer na Pensilvânia, ou se vencer em dois Estados do trio formado por Geórgia, Nevada e Arizona.

Em meio à reta final das apurações, o dólar spot registrou queda de 2,80% na sessão, para 5,39 reais na venda, seu menor patamar para fechamento desde 18 de setembro (5,3767) e sua maior desvalorização diária desde 28 de agosto (-2,927%). Na mínima do pregão, a moeda norte-americana despencou 2,9%, a 5,3845 reais, seu menor patamar intradiário desde 22 de setembro.

Desde o fechamento da última sexta-feira a moeda norte-americana teve queda de cerca de 6,1%, sua maior perda semanal desde a semana encerrada em 5 de junho. Apenas nos últimos três dias, a divisa perdeu mais de 6,4%, depois de ter fechado a terça-feira --dia da eleição nos EUA-- em 5,7609 reais.

A expectativa de vitória de Biden "exerce pressão baixista sobre o dólar porque uma presidência do democrata poderia ser positiva para o sentimento de risco global", disse à Reuters Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos, destacando que "Biden passou Trump em Estados extremamente cruciais".

Ao contrário dos polêmicos posicionamentos do atual presidente republicano nos últimos anos à frente da Casa Branca, "o comportamento (de Biden) não é errático, volátil e imprevisível", o que poderia reduzir a busca por segurança na moeda norte-americana, acrescentou.

Os mercados mais amplos já haviam precificado que uma vitória de Biden seria positiva para mercados emergentes, principalmente devido à maior probabilidade de aprovação de estímulos fiscais e às perspectivas de uma política comercial mais aberta na maior economia do mundo.

Além disso, vários especialistas apontaram a liderança dos republicanos na corrida eleitoral pelo comando do Senado dos EUA como positiva em um cenário de provável vitória democrata na Casa Branca. Isso porque o equilíbrio no governo norte-americano evitaria a aprovação de maiores impostos ou restrições sobre as empresas do país.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes caía mais de 0,4%, enquanto rand sul-africano e peso mexicano registravam alta.

No Brasil, chamou a atenção na tarde desta sexta-feira a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que adotou tom positivo em relação à economia e disse que o país já voltou à agenda de reformas, além de ter defendido privatizações, a redução da dívida/PIB e a manutenção do ajuste fiscal.

Investidores também citaram declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que voltou a defender nesta sexta-feira a aprovação da reforma tributária e disse que o debate da reforma administrativa deve começar na próxima semana.

Nos últimos meses, o cenário doméstico tem sido motivo de preocupação para os mercados financeiros que, além de descontentes com o atraso na entrega das reformas estruturais, que consideram essenciais, temem que o governo fure seu teto de gastos de forma a financiar um pacote de auxílio em resposta à pandemia de Covid-19.

Apesar da forte desvalorização dos últimos dias, o dólar ainda acumula salto de 34% contra o real em 2020, tendo sido impulsionado também por um ambiente de juros extremamente baixos.