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Dólar fecha em R$ 4,87 após Bolsonaro propor zerar imposto sobre combustíveis

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar comercial encerrou esta terça-feira (7) em forte alta, refletindo a preocupação de investidores com a proposta do governo de reduzir impostos federais e ressarcir estados que aceitarem zerar o ICMS sobre os combustíveis.

A moeda americana avançou 1,41%, cotada a R$ 4,8740 na venda, o maior valor de fechamento desde 19 de maio. No decorrer do pregão, a divisa estrangeira chegou a valer R$ 4,9340.

O real teve o pior desempenho frente ao dólar entre as principais moedas globais e, na comparação entre os países emergentes, só não caiu mais do que o rublo russo.

Na Bolsa de Valores brasileira, o índice Ibovespa recuou 0,11%, a 110.069 pontos, em um dia de pouca oscilação e de volume de negociações considerado baixo —aproximadamente R$ 20,9 bilhões.

O cenário doméstico foi apontado como o principal responsável pela alta do dólar, após o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter afirmado na véspera que o Executivo está disposto a zerar impostos federais cobrados sobre gasolina, gás, etanol e diesel em troca de uma redução da carga cobrada pelos entes federativos, que seriam ressarcidos pelo governo federal.

Especialistas da Genial Investimentos avaliaram que a medida eleva a percepção do risco fiscal do país por parte dos participantes do mercado e que o resultado poderá ser uma desvalorização cambial capaz de aumentar a inflação e até mesmo anular os efeitos da diminuição de impostos sobre os preços.

A XP calculou que o impacto sobre a inflação de curto prazo da proposta do ICMS pode ser de até 2 pontos percentuais, mas deve criar um buraco fiscal que pode atingir R$ 100 bilhões até o final do ano.

Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos, comentou que a "leitura feita pelo mercado é que o risco fiscal se torna iminente" em um cenário em que "tudo é possível com o governo tentando reverter a sua impopularidade".

Moliterno destacou outros efeitos colaterais da discussão sobre os combustíveis no mercado de ações brasileiro.

No caso da Petrobras, cujos papéis mais negociados subiram 1,19% nesta sessão, investidores passaram a avaliar que a gestão Bolsonaro apostará em medidas econômicas para conter a alta dos combustíveis, em vez de interferir diretamente na gestão da companhia.

Nos ramos de tecnologia e varejo, que são mais vulneráveis à inflação e aos juros altos, a preocuação fiscal provocou baixas. A Magazine Luiza mergulhou 3,24%. Também figuraram entre as principais quedas as ações de Cielo (-4,28), Soma (-4,14%) e Positivo (-4,07%).

Respondendo à expectativa de alta do minério de ferro com a redução das restrições à atividade econômica para contenção da Covid na China, a Vale subiu 2,34%.

No mercado de juros de curto prazo, a taxa DI (Deposito Interbancários) subia 45 pontos-bases no encerramento do dia, a 13.490 ao ano.

No exterior, o mercado americano fechou com seus principais índices no azul, apesar das preocupações com a inflação que continuam pressionando a alta dos juros de longo prazo no país.

O indicador de referência da Bolsa de Nova York, o S&P 500, subiu 0,95%. O Dow Jones ganhou 0,80%. O mercado focado em tecnologia acompanhado pelo índice Nasdaq avançou 0,94%.

"Dia de cautela nos mercados, com os investidores se preparando para a decisão do Banco Central Europeu na quinta-feira (9) [sobre o aumento da taxa de juros diante da alta da inflação na região] e do CPI [índice de inflação] dos Estados Unidos na sexta-feira (10)", destacou Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura.

No mercado de petróleo bruto, o preço de referência subia 1,25% no final da tarde, com o barril do Brent cotado a US$ 121 (R$ 578,77).

O índice do preço à vista das commodities da agência Bloomberg subia 1,86% e renovava nesta terça o seu pico histórico.

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