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Dólar tem maior queda semanal desde agosto por expectativa com estímulo nos EUA

Marcelo Osakabe
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Moeda americana acumulou queda de 2,52% na semana A confiança inabalável dos investidores por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos manteve em alta o apetite por risco nesta sexta-feira, garantindo o enfraquecimento do dólar contra todas as 33 divisas mais negociadas do mundo. No Brasil, onde os ruídos políticos foram reduzidos nos últimos dias, o movimento levou a moeda americana a encerrar em queda de 1,11%, a R$ 5,5259. Com o desempenho de hoje, o dólar acumulou queda de 2,52% na semana, a maior desde a última semana de agosto, quando a moeda americana teve baixa de 3,48%. Vídeo: Dúvidas sobre solução fiscal ainda preocupa Reconciliação entre Guedes e Maia acalma mercados Se a sexta-feira passada foi marcada pelo nervosismo, em meio a comentários feitos pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, sobre o Renda Cidadã, e trocas de farpas com Paulo Guedes, nesta semana o que se viu foi um freio de arrumação na casa, ao menos no discurso. O ministro da Economia fez nova reaproximação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, governo e aliados reiteraram que as soluções para o programa de transferência de Renda estarão sob o teto de gastos, e o presidente Jair Bolsonaro pediu que cada ministério falasse apenas sobre assuntos pertinentes à sua pasta - o que foi lido como um recado a Marinho. “A conversa é que está tudo certo. Basta esperar passar as eleições municipais. A verdade, porém, é que nada está resolvido”, diz a LCA Consultores em sua análise política semanal. “A agenda fiscal não está morta. Mas, à medida que o tempo passa, sua implementação se torna mais difícil. E o esforço retórico para defendê-la e para não desanimar de vez o mercado e o empresariado, terá que ser ainda mais intenso.” De toda forma, a redução dos ruídos ajudou a tirar prêmio do câmbio, num momento em que as expectativas voltam a ficar altas por um pacote fiscal nos Estados Unidos. Após o presidente Donald Trump ter recuado de deixar as negociações para depois das eleições, a Casa Branca e os democratas voltaram a conversar, ainda que sem resultado visível. Esta tarde, a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, voltaram a discutir o tema em uma ligação de 30 minutos, que também encerrou sem avanço. Analistas do Brown Brothers Harriman observam que o otimismo por novos estímulos nos EUA ocorrem apesar de os sinais vindos de Washington serem pouco firmes. “Nossa opinião é a de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, piscou ao recuar da decisão de deixar as negociações. Agora, a líder democrata, Nancy Pelosi, acredita ter maior poder de barganha e isso pode se traduzir em uma posição mais inflexível no sentido de um pacote maior”, afirmam em relatório a clientes. “Ambos os lados permanecem distantes de um consenso, logo, nós continuamos céticos quanto a um acordo.” Unsplash