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Dólar fecha em queda, mas acumula avanço de 5% na semana

Lucas Hirata

O dólar comercial fechou em queda de 0,97%, aos R$ 5,3175, distante da máxima do dia, de R$ 5,3812 Depois de sete altas consecutivas, o dólar comercial passou por um movimento de correção e fechou em queda nesta sexta-feira (19). No entanto, o movimento não foi linear e contou com uma dose reforçada de instabilidade. Ao longo da manhã desta sexta, a moeda americana chegou até a registrar leve alta mesmo com a valorização de boa parte das divisas emergentes. Vale dizer ainda que , apesar do ajuste, o dólar teve firme alta na semana – a mais intensa desde maio.

Operadores e profissionais de Tesouraria comentam que a queda não se embasou em uma notícia específica, mas mostra uma acomodação do dólar após a sequência de avanços dos últimos dias, quando ficou bem próximo de atingir a marca de R$ 5,40.

O dólar comercial fechou em queda de 0,97%, aos R$ 5,3175, distante da máxima do dia, de R$ 5,3812.

Diferentemente do que se observou em grande parte da sessão de hoje e nos últimos dias, o real brasileiro teve o melhor desempenho entre as principais divisas do mundo, no fim do dia. Por outro lado, o dólar ainda acumulou alta na semana de 5,48% contra o real, movimento mais intenso que dos pares emergentes. Foi o avanço semanal mais acentuado desde o começo de maio, quando subiu 5,6% na semana do dia 4.

“Essa queda só ameniza um pouco, não dá para dizer que é uma tendência ou um movimento direcional. É uma acomodação, após a alta muito forte dos últimos dias”, explica um profissional de Tesouraria. Ele afirma que ainda existe muita incerteza no cenário global. “E o Brasil está em um momento econômico e até político fragilizado. Quando tem um movimento defensivo, o Brasil sofre mais”, afirma.

Para o operador Cleber Alessie Machado Neto, da Commcor, a leitura sobre os rumos da moeda ficou mais nebulosa nos últimos dias e se refletiu na instabilidade do mercado. “O Copom deixou as portas abertas para reduzir a Selic, o que pressiona o câmbio. Também tem a prisão do Queiroz, embora seja difícil quantificar o risco que o mercado precifica. Além disso, vemos que a exposição em bolsa tem sido protegida na venda do real e compra de dólar”, diz.

Tudo isso, de acordo com o profissional, estimula operações especulativas de compra de dólar e queda do dólar, trazendo instabilidade adicional para o mercado. O operador atribui em grande parte o movimento de cautela ao ajuste sobre expectativas para juros e do hedge cambial. “Para mim, a questão do Queiroz ainda responde por uma parcela reduzida do movimento. Embora seja algo que chama atenção, parece que ainda não tem um risco efetivo tão próximo do presidente”, explica.

Na cena nacional, a prisão de Fabrício Queiroz ainda traz uma certa apreensão entre analistas. Na avaliação dos profissionais da Guide, o presidente Jair Bolsonaro deve reagir intensificando a sua articulação com o Centrão, para reforçar as suas defesas contra ameaças ao seu mandato.

“Manter o apoio destas siglas fisiológicas é agora mais importante do que nunca. Até o momento, um eventual afastamento não representa uma ameaça iminente para Bolsonaro – principalmente em meio a uma pandemia –, mas caso as narrativas supracitadas continuem a deteriorar, a aprovação do presidente atingirá um perigoso patamar de fragilidade, tornando as perspectivas de um eventual processo de impeachment ou cassação mais palpáveis”, acrescentam.