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Dólar fecha em queda com exterior e captações, mas sem tirar Brasília do foco

·3 minuto de leitura
Notas de dólares dos EUA

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, com o mercado embarcando em vendas na parte da tarde na esteira do fortalecimento do apetite por risco no exterior, em meio a um rali das commodities a picos em mais de seis anos.

O dólar à vista caiu 0,42%, a 5,237 reais.

A cotação variou de 5,273 reais (+0,27%) a 5,2304 reais (-0,54%) na sessão.

Lá fora, o índice do dólar --que mede o valor da moeda frente a uma cesta de seis rivais-- ampliava a queda para 0,2% no fim da tarde. A baixa acelerou depois das 16h (de Brasília), após uma escalada nos preços do petróleo empurrar um índice de referência para as matérias-primas a uma máxima desde julho de 2015.

Moedas intrinsecamente correlacionadas às commodities lideravam os ganhos nos mercados de câmbio nesta sessão: rublo russo (+1,3%), peso chileno (+0,8%), coroa norueguesa (+0,7%) e dólar canadense (+0,5%).

A alta dos produtos básicos beneficia o real por melhorar os termos de troca --em linhas gerais, razão entre preços de exportações e importações. Assim, a economia brasileira acaba recebendo, no líquido, mais dólares, aumentando a disponibilidade da moeda, o que pode baixar seu preço.

A nova pernada de alta nas commodities poderia interromper a queda nos termos de troca vista desde os picos do segundo trimestre (ver gráfico do Goldman Sachs abaixo). Segundo dados mais recentes da Funcex, em junho o índice de termos de troca havia batido uma máxima desde 2011. A balança comercial brasileira tem cravado recorde atrás de recorde.

Ainda na linha de ingresso de recursos, o mercado acompanhou notícias de que a Rumo lançou nesta quarta-feira captação de 500 milhões de dólares no exterior. Nesta semana, Banco do Brasil também precificou captação de 750 milhões de dólares.

O mercado de câmbio no Brasil "se rendeu" às vendas de dólares na parte da tarde depois de uma manhã mais pressionada, em que investidores repercutiram sinais de que o governo Bolsonaro parece contar com menos apoio do Legislativo.

Na noite de terça-feira, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), rejeitou medida provisória enviada por Bolsonaro que alterava o Marco Civil da Internet.

"O espaço para mais medidas está menor", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, chamando atenção para o entendimento de que, mesmo após a minirreforma ministerial recente, o governo ainda não "colheu frutos" no Congresso.

Falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, na véspera e nesta quinta também ficaram no radar, num momento em que o mercado se preocupa com o risco de abalo ao teto de gastos diante do imbróglio em torno da conta de precatórios para 2022 --envolta em mais nebulosidade diante da intensificação da crise entre Poderes.

Chamou atenção nesta quarta comentário do presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, Luiz Fux, sobre o titular da Economia: "Guedes é tão amigo que coloca no meu colo o filho que não é meu". A declaração fez referência à intenção de Guedes de obter aval do CNJ para parcelar precatórios.

O recrudescimento da contenda político-institucional e seus potenciais efeitos fiscais têm deprimido ainda mais a visão do estrangeiro sobre a taxa de câmbio brasileira, em meio a uma ampla expectativa de volatilidade adicional apesar da possibilidade de juros mais altos por causa da disparada da inflação.

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