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Dólar fecha em queda com pausa na aversão ao risco

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Nos Estados Unidos, declarações da líder dos democratas na Câmara, Nancy Pelosi, de que o partido está disposto a negociar um pacote fiscal de US$ 2,2 trilhões, ajudou a frear as preocupações O ambiente mais ameno que começou a emergir nos mercados globais nesta quinta-feira abriu espaço para um ajuste dos ativos de risco. No Brasil, este movimento ajudou o dólar a devolver parte da alta de 6,81% acumulada nos últimos quatro pregões, em linha com o comportamento de outras moedas emergentes. No encerramento da sessão, a moeda americana foi negociada em baixa de 1,38%, a R$ 5,5095. Apesar da queda firme, o dia começou volátil, com o dólar chegando a tocar R$ 5,6238 na máxima intraday. Outras divisas tiveram um pregão parecido. Após apontar alta superior a 1% contra o peso mexicano pela manhã, o dólar inverteu o sinal e caía 0,96% no horário acima. Por trás desse alívio, participantes de mercado citaram declarações da lider dos democratas na Câmara, Nancy Pelosi, de que o partido está disposto a negociar um pacote fiscal de US$ 2,2 trilhões. A fala ajudou a frear preocupações de que o tema tivesse sido escanteado após a morte da juíza da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg, disparar uma corrida sobre sua sucessão. Além disso, um dado da economia americana divulgado mais cedo também teria ajudado a interromper a tendência recente da moeda americana, em especial contra o euro. Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, os pedidos iniciais somaram 870 mil na semana passada, acima da previsão de 850 mil. “O patamar persistentemente alto dos pedidos ressaltam a fragilidade da retomada no país”, nota o Wells Fargo. “O mercado de trabalho se recupera aos trancos e barrancos. A concessão de auxílio emergencial recuou, mas o número de beneficiários de todos os programas continua perto de 26 milhões.” No Brasil, a intensa desvalorização do real nos últimos dias e o fato de que ele permanece como a pior divisa emergente de 2020 ajuda a conter rodadas adicionais de fraqueza, avalia o estrategista-chefe do banco Mizuho para o Brasil, Luciano Rostagno. Além disso, continua, o cenário político tem dado sinais de melhora nos últimos dias, o que é positivo. “O debate em torno das reformas parece mais construtivo e menos polarizado. As conversas em torno do novo Renda Brasil se mantêm dentro de arcabouço de responsabilidade fiscal, sempre buscando fonte de recursos para financiar”, nota. Embora o noticiário político atual tenha dado uma trégua, analistas do Bank of America esperam que as discussões até o fim do ano devem elevar novamente a volatilidade da moeda. “Ainda que nosso cenário-base seja o de que as âncoras fiscais sejam mantidas, acreditamos que o processo será ruidoso, com efeitos sobre a moeda brasileira”, diz o banco americano em relatório a clientes. O BofA projeta que o real encerre o ano perto de R$ 5,40. Tomohiro Ohsumi/Bloomberg