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Dólar fecha em queda após discurso de Trump

Marcelo Osakabe

A tendência, dizem analistas, é de continuidade de confrontos em baixa escala O aguardado discurso do presidente Donald Trump ajudou a confirmar o que se especulava desde a manhã: os Estados Unidos não buscam escalar o conflito com o Irã nem anunciou novas incursões. Como resultado, o petróleo caiu e os demais ativos seguros, como o ouro, também cederam terreno. O movimento deu novo ânimo às moedas emergentes e não passou despercebido no Brasil.

Por aqui, a moeda americana caiu rapidamente e chegou a tocar mínima intradiária de R$ 4,0408 antes de se acomodar. No fim do pregão, ela era negociada em queda de 0,31%, aos R$ 4,0518.

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Em seu aguardado pronunciamento, Trump anunciou novas sanções econômicas contra o Irã, mas comemorou o escopo da retaliação de Teerã, que não deixou mortos. “O povo americano deve celebrar que nenhum soldado americano foi ferido ou morto no ataque”, declarou o republicano, que também não citou nenhuma represália em relação ao ataque com mísseis ontem.

A queda do dólar no Brasil foi até tímida na comparação com outros pares emergentes, como contra o peso chileno (1,48%) e o rublo russo (1,22%). “Vemos agora um movimento de “risk-on” em todos os ativos, que é acompanhando de um dólar mais fraco contra as moedas emergentes”, diz Roberto Campos, sócio e gestor da Absolute Investimentos.

Após a fala de Trump, Campos acredita que os mercados devam voltar a operar com o sentimento otimista visto no final do ano passado. “É até surpreendente a retomada neste momento, parece que os investidores querem ir para o “risk-on” mas estão sem novidades nos últimos dias para alimentar esse movimento”, diz.

No fim do ano passado, o real vinha em trajetória de queda firme e chegou a beirar os R$ 4,00 nos primeiros pregões de 2020. O ataque americano que matou o general iraniano na sexta-feira suspendeu esse movimento.

Apesar do arrefecimento dos temores geopolíticos, o risco de uma escalada não desapareceu, avalia o diretor de avaliação de risco para países do Oriente Médio da IHS Markit, Firas Modad. Segundo ele, os discursos tanto de Trump como de autoridades iranianas nas últimas horas indicam que ambos os lados não têm interesse transformar o conflito em uma guerra total. Ambos também têm incentivos a agir desta forma - a pressão dos países vizinhos é um deles.

O balanço final das ações, no entanto, deve significar a manutenção do atual status quo, diz Modad, o que significa novos confrontos em baixa escala que não arrisquem desencadear uma guerra frontal. “Isto deixa um risco latente de escalada, uma vez que deixa o cenário vulnerável a um erro de cálculo de qualquer um dos lados”, diz.

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