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Dólar tem queda acentuada ante real com reforma tributária no radar, após ganhos recentes

·3 minuto de leitura
Dólar tem forte queda ante o real

Por Luana Maria Benedito

(Reuters) - O dólar caiu acentuadamente contra o real nesta segunda-feira, quebrando uma longa sequência de altas diárias consecutivas, em meio à redução dos receios em torno da reforma tributária e à perspectiva de juros mais altos no Brasil.

A moeda norte-americana à vista caiu 1,61%, a 5,1736 reais na venda, sua maior desvalorização diária desde 6 de maio deste ano (-1,612%). Mais cedo, na mínima do pregão, o dólar chegou a tocar 5,1639 reais na venda.

O movimento vem na esteira de uma sequência de altas consecutivas iniciada no dia 29 de junho.

Na B3, o principal contrato de dólar futuro caía 1,63%, a 5,185 reais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, assegurou em almoço com empresários na semana passada que eventuais distorções da reforma tributária --encaminhada recentemente pelo governo ao Congresso Nacional-- serão corrigidas.

Carlos Duarte, da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), disse à Reuters que a perspectiva de ajuste de pontos importantes da proposta é motivo de alívio para os investidores. Ele relembrou que os mercados se frustraram inicialmente com o texto apresentado pelo governo, um dos motivos que explicam a trajetória de valorização do dólar vista recentemente.

Duarte afirmou também que ainda há fatores domésticos fornecendo amparo ao real. "Devemos ter melhora na balança comercial e o recurso dos investidores estrangeiros começou a voltar para o Brasil, com a taxa Selic subindo e a atividade econômica melhorando."

Em sua última reunião de política monetária, o Banco Central promoveu a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, a 4,25%, e indicou que vai anunciar aumento da mesma magnitude, pelo menos, em sua próxima reunião.

Juros mais altos no Brasil elevam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, o que tende a atrair capital estrangeiro e, consequentemente, beneficiar o real.

Ainda assim, o clima em Brasília tem sido motivo de cautela.

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, por ser contra mudança no sistema de votação do país para incluir o voto impresso e mais uma vez colocou em dúvida a realização das eleições do ano que vem.

Em reação a isso, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o Parlamento repudia qualquer especulação sobre a não realização do pleito de 2022 e garantiu que a eleição vai ocorrer.

Em meio ainda às investigações da CPI da Covid-19 no Senado, uma pesquisa Datafolha mostrou no sábado que a maioria dos entrevistados apoia a abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

"Incertezas sempre intranquilizam o mercado financeiro, ainda que não existam razões técnicas sustentáveis", escreveu Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora, referindo-se à forma como a escalada das tensões políticas nas últimas semanas tem compensado a percepção de um ambiente doméstico benigno para o real nas últimas semanas.

Mesmo com a desvalorização desta segunda-feira, o dólar ainda acumula ganho de 5,45% contra a moeda brasileira desde que fechou o dia 24 de junho numa mínima em mais de um ano de 4,9062 reais.

Duarte, da Planejar, disse que, além dos ruídos em Brasília, a aversão a risco do investidor mundial também tem respaldado a moeda norte-americana, principalmente em meio à disseminação da variante Delta, altamente contagiosa, da Covid-19.

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