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Dólar fecha em nova máxima histórica em semana de caos nos mercados; moeda sobe quase 20% em 2020

Por José de Castro
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Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em forte alta nesta sexta-feira, cravando novo recorde histórico para um término de sessão acima de 4,81 reais, acompanhando mais um dia de fortalecimento da moeda no exterior depois de os Estados Unidos declararem emergência nacional por causa do coronavírus.

A valorização representou uma sensível virada em relação ao movimento do começo do pregão, quando a divisa chegou a cair quase 3%, em ajuste inicial depois de na véspera chegar a superar a barreira psicológica dos 5 reais pela primeira vez.

A tomada de fôlego ao longo desta sexta marcou ainda o fim de uma das semanas mais instáveis nos mercados globais em anos, em uma "tempestade perfeita" que incluiu escalada de temores sobre o coronavírus, colapso nos preços do petróleo e uma inesperada volta do risco fiscal do lado doméstico, com a aprovação pelo Congresso de aumento de despesas com o Benefício de Prestação Continuada.

"Esse sério revés para agenda de reformas junto com um cenário global mais do que desafiador manterá os ativos brasileiros sob pressão nas próximas semanas", disseram estrategistas do Morgan Stanley em nota a clientes.

A alta do dólar nesta sessão ganhou corpo também à medida que alguma acomodação nos mercados globais permitiu queda nos juros futuros negociados na B3, reavivando expectativas de corte da Selic pelo Banco Central na próxima semana.

O Comitê de Política Monetária (Copom) provavelmente reduzirá a taxa básica de juros, a Selic, para 4,00% ao ano, de 4,25%, ao fim de sua reunião de 18 de março, de acordo com 13 dos 26 analistas consultados entre 9 e 13 de março, conforme pesquisa da Reuters divulgada nesta sexta-feira.

"O aumento da aversão a risco tem colocado pressão sobre o real [...]. Isso pode limitar o espaço para mais afrouxamento monetário, mas, em nossa avaliação, na maioria dos casos não deve impedi-lo", disse Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs.

No fechamento do mercado interbancário, às 17h, o dólar subiu 0,57%, a 4,8128 reais na venda, nova máxima recorde.

Na máxima, alcançada às 16h36, a moeda foi a 4,882 reais (+2,01%), enquanto na mínima, atingida às 10h30, desceu a 4,6437 reais na venda, queda de 2,97%.

Na semana, o dólar saltou 3,85%, a quarta consecutiva de ganhos e mais forte para uma semana desde novembro de 2019.

Em março, a moeda ganha 7,40% e dispara 19,93% no acumulado de 2020. O real tem o segundo pior desempenho global neste ano, melhor apenas que o peso colombiano, que perde 18,3%.

Na B3, em que os negócios se encerram às 18h, o dólar futuro tinha alta de 0,66% nesta sexta-feira, a 4,8345 reais, às 17h23.

O Banco Central vendeu nesta sexta 2 bilhões de dólares em leilão de linha de moeda com compromisso de recompra, na terceira ferramenta a que o BC recorreu nesta semana para frear a volatilidade cambial.

Desde segunda-feira, já colocou 7,245 bilhões de dólares em moeda à vista e injetou 10,5 bilhões de dólares neste ano via contratos de swap cambial tradicional --que equivalem a colocação de liquidez no mercado futuro.