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Dólar fecha em alta e anota nova máxima histórica

Marcelo Osakabe

A moeda americana foi cotada a R$ 4,3269 no horário de fechamento do pregão O dólar falhou novamente em seguir o comportamento do exterior e encerrou em leve alta no Brasil, suficiente para registrar nova máxima histórica de fechamento. A moeda americana foi cotada a R$ 4,3269 (0,10%) no horário de fechamento do pregão. Este é o quarto pregão consecutivo de alta do dólar, que também registrou nova máxima histórica intradiária, aos R$ 4,3408.

O real foi uma das quatro divisas que cedeu terreno contra a moeda americana hoje. O pior desempenho do dia ficou com o peso argentino (-0,23%), reagindo ao anúncio de reestruturação dos bônus em peso que vencem na próxima quinta. Na outra ponta, rublo russo (1,11%), rand sul-africano (1,16%) e peso colombiano (1,08%) lideram os ganhos do dia.

Embora tenha iniciado o dia em queda moderada, refletindo o exterior, o dólar se valorizou na margem após comentários otimistas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reiterando que a política monetária dos EUA está “bem posicionada”, nota Luciano Rostagno, estrategista-chefe no Banco Mizuho do Brasil.

Outro fator que ficou no radar foi a ata do Copom. Apesar de ter reiterado a interrupção no ciclo de cortes, os dirigentes abriram um debate em dois pontos: o efeito do surto do coronavírus sobre o câmbio e o preço das commodities, cujas dinâmicas podem acabar se anulando ou mesmo tendo efeito baixista sobre a inflação; e sobre uma possível dicotomia entre mercado de trabalho e de bens e serviços.

Após a divulgação da ata, os juros futuros voltaram a cair em toda a curva a termo, um sinal de que parcela do mercado ainda acredita na possibilidade de novos cortes esse ano.

“Embora tenha sinalizado que não pretende mexer nos juros no curto prazo e que há necessidade de aguardar dados econômicos para avaliar condições da economia e o cenário prospectivo de inflação, o Copom foi visto como um pouco mais ‘dovish’”, diz Rostagno.

Para além do comportamento da Selic e seus impactos sobre o diferencial, o fato é que o comportamento do real têm frustrado analistas e investidores.

Para Victor Candido, gestor da Journey Capital, os fatores locais, inclusive, passaram a dar contribuição negativa para o desempenho da moeda. “Antes, o exterior fazia o real ficar mais valorizado. Agora é o local que dá essa contribuição”, diz o profissional. Além do diferencial, outros fatores podem estar jogando para esse resultado, continua, citando o hedge barato para apostas em outros ativos brasileiros.

Para o Standard Chartered, o fato de que muitas apostas na moeda brasileira no fim do ano passado venham decepcionando não tira o viés positivo sobre o Brasil. “Por outro lado, nossos clientes resolveram ficar com o que funciona, ficando longos na bolsa local e recebendo dos DIs. A maioria dos investidores locais desistiu de tentar expressar sua aposta positiva sobre o país através da moeda”, diz o analista Ilya Gofhstein, que recentemente esteve no país, em relatório.

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