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Clima de cautela impõe nova alta ao dólar e moeda avança 2% na semana

Marcelo Osakabe
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Investidores seguem atentos à corrida presidencial nos EUA e aos desafios fiscais no Brasil Após uma abertura em queda firme, o dólar comercial inverteu a trajetória e se manteve em alta na maior parte do pregão desta sexta-feira, seguindo um ambiente de maior cautela no exterior. Ao contrário de outros mercados locais, no entanto, o câmbio acabou não repercutindo intensamente os ruídos políticos do Brasil. No encerramento do dia, a moeda americana era negociada em alta de 0,25%, a R$ 5,6688. Na semana, acumulou alta de 2,02%. Lá fora, o dólar avançou sobre a maior parte das divisas, emergentes ou desenvolvidas, ajudado por uma combinação de notícias. Além de certa frustração com a geração de 661 mil postos de trabalho nos Estados Unidos no último mês, abaixo dos 800 mil esperados, o impasse sobre o pacote fiscal continuou a pesar sobre o apetite pelo risco. Paralelamente, investidores buscam compreender qual o significado do teste positivo de Trump para o novo coronavírus para a eleição, que ocorre daqui a quatro semanas. "Embora possa se argumentar que a notícia é inequivocadamente positiva para Joe Biden, nós não acreditamos que isso seja dado. Outros líderes como Boris Johnson (Reino Unido) e Jair Bolsonaro viram sua popularidade subir após contrair a doença", observam analistas do TD Securities. Internamente, mas sem grande impacto sobre a negociação do câmbio, o destaque foram as supostas declarações dadas pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, em live fechada para investidores. Marinho teria reforçado, segundo relato de uma fonte cujo fundo esteve presente no encontro, que existe um impasse em torno do financiamento do Renda Cidadã, mas que ele sairia "da melhor ou da pior forma". Ele também teria tecido fortes críticas contra seu colega de Esplanada Paulo Guedes. Entre outras coisas, Marinho teria dito que foi o próprio Guedes que teve a ideia de usar recursos de precatórios para financiar o Renda Cidadã e que, agora, não tem uma proposta. Em nota divulgada no fim da tarde, Marinho confirmou a reunião fora da agenda, mas disse que as informações chegaram à imprensa de maneira distorcida. “A reunião teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal”, diz o texto, que também negou os ataques a Guedes. “Não foram feitas desqualificações ou adjetivações de qualquer natureza contra agentes públicos, nem tampouco às propostas já apresentadas. Quem dissemina informações falsas como essas tem claro interesse em especular no mercado, gerando instabilidade e apostando contra o Brasil.” Ao ser questionado sobre o assunto por jornalistas, Guedes disse não acreditar que Marinho tenha falado mal dele. "Mas, se falou, é despreparado, desleal e fura-teto", afirmou Guedes. Dólar dollar dinheiro cédula Pixabay