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Dólar fecha em alta com perspectiva de corte da Selic

Marcelo Osakabe

No encerramento dos negócios, a moeda era cotada a R$ 4,2580, alta de 0,21% Após iniciar o dia em queda moderada, aproveitando os ventos no exterior, o dólar comercial devolveu o movimento e encerrou em leve alta nesta terça-feira, pressionado pela expectativa de que novos cortes da Selic possam reduzir ainda mais a atratividade da moeda brasileira.

No fim do pregão, o dólar era negociado em alta de 0,21%, aos R$ 4,2580. O viés contraria o dos demais pares emergentes e ligados a commodities, que avançaram em bloco em mais um dia de recuperação para ativos de risco. No mesmo horário, o dólar cedia 1,00% contra o peso colombiano, 0,94% na comparação com o rublo russo e 0,53% frente ao rand sul-africano.

Se, lá fora, o que continuou comandando foi o alívio com a reação dos mercados chineses na volta do feriado do Ano Novo Lunar, por aqui acabou pesando a divulgação dos dados de produção industrial, que voltaram a decepcionar.

Segundo o IBGE, o setor fabril teve contração de 0,7% em dezembro, abaixo da mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, que estimava queda de 0,5%. O IBGE também revisou o dado de novembro de -1,2% para -1,7%.

O dado chega à véspera de uma decisão do Copom em que a maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic. “A produção industrial abaixo do esperado pode fazer o Brasil crescer menos e o BC cortar mais a Selic, o que volta a trazer à tona a discussão sobre o diferencial de juros”, diz Victor Candido, gestor da Journey Capital. “O indicador é mais uma notícia negativa após os dados da balança comercial de ontem, que também vieram piores que o esperado.”

Roberto Campos, sócio e gestor da Absolute Investimentos, nota que mesmo antes do pior momento do surto de coronavírus para os mercados internacionais, o real já vinha registrando performance abaixo dos demais emergentes. Isso acontece mesmo em uma semana em que se espera chegada importante de dólares, atraídos pela oferta de ações da Petrobras pelo BNDES. “O que pode estar acontecendo é um descasamento de fluxo saindo da bolsa e aguardando para voltar por meio da [compra de] Petrobras”, sugere. “Ainda assim, acredito que seja mais uma questão de diferencial de juros.”

Sinal de que o movimento do câmbio reflete apenas uma mudança de alocação de ativos, continua Campos, é que o risco-país continua comportado. Segundo dados compilados pela Markit, o spread do contrato de 5 anos do CDS baixou de 102 pontos no início do dia para 98 pontos nesta tarde.

Um risco adicional que pode começar a ser monitorado é o impacto do surto de coronavírus sobre a economia real da China e os efeitos para o Brasil. O UBS, por exemplo, cortou 6,0% para 5,4% sua estimativa para o PIB chinês de 2020. Já o PIB brasileiro foi revisado de 2,5% para 2,1% no mesmo período, refletindo principalmente a desaceleração maior que a esperada de seu maior parceiro comercial e também a golpe no apetite por risco do investidor global.

A projeção do banco suíço para o câmbio no fim do ano, por outro lado, se manteve intacta em R$ 4,00. “Não mudamos nossa estimativa pois esperamos que o crescimento volte a acelerar, que a agenda reformista continue a ter sucesso e que a Selic volte a subir em 2021”, diz o UBS em relatório.

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