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Dólar tem alta tímida contra real em pregão sem EUA; risco fiscal segue em foco

Nota de 5 dólares

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve alta contra o real nesta segunda-feira, em sessão sem grandes catalisadores e de volumes reduzidos devido a feriado nos Estados Unidos, enquanto o noticiário envolvendo a PEC dos Auxílios continuou rondando os mercados locais.

A moeda norte-americana à vista teve variação positiva de 0,07%, a 5,3250 reais na venda, maior nível para encerramento desde 28 de janeiro (5,3915), depois de oscilar entre 5,3365 reais no maior patamar do dia (+0,28%) e 5,2880 reais na cotação mais baixa (-0,63%).

Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,20%, a 5,3620 reais.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse que a movimentação tímida do dólar neste pregão refletiu uma agenda esvaziada e sem a referência da principal praça do mundo, os EUA, que comemoram nesta segunda-feira a independência do país.

Ele disse também associar parte da oscilação do dia a um movimento de ajuste, principalmente quando o dólar rondou os menores patamares da sessão, com agentes financeiros realizando lucros de maneira pontual após a moeda ter encerrado a semana passada com fortes ganhos.

Mas o arrefecimento no rali recente do dólar --que saltou quase 10% no segundo trimestre e marcou em junho seu melhor desempenho mensal frente ao real desde março de 2020-- não significa que agentes financeiros locais deixaram de lado preocupação com uma "PEC Eleitoral" em tramitação no Congresso, disse Rostagno.

A PEC mencionada por ele --também chamada de "PEC Kamikaze" por alguns participantes do mercado-- amplia benefícios sociais existentes, caso do Auxílio Emergencial e do Auxílio Gás, e cria novos destinados a transportadores autônomos e taxistas, além de prever recursos a programa alimentar.

A versão da PEC aprovada na semana passada pelo Senado prevê a imposição de um estado de emergência para possibilitar os novos gastos --medida vista por críticos como manobra para driblar o teto de gastos e a lei eleitoral.

O relator da proposta na Câmara, deputado Danilo Forte (União-CE), disse nesta segunda-feira que quer suprimir do texto dispositivos que estabelecem o estado de emergência --sugerindo em vez disso mudança no teto de gastos que permita aumentos de despesas em casos específicos-- e incluir motoristas de aplicativos dentre os beneficiários de novos auxílios.

"São benesses que o governo e o Congresso estão tentando aprovar mas que acabam elevando o risco fiscal do país", disse Rostagno sobre a PEC, citando impacto sobre a taxa de câmbio, extremamente sensível à confiança de investidores no Brasil.

Em meio à preocupação com o cenário fiscal, uma medida do risco-país subiu para perto dos maiores patamares desde maio de 2020 no final da semana passada, e continuava flertando com esses níveis nesta segunda. A volatilidade implícita do real para os próximos três meses, por sua vez, atingiu seu ponto mais alto desde outubro de 2020 na última quinta-feira, embora já tenha recuado ligeiramente desde então.

Os mercados devem ver incerteza cada vez maior conforme as eleições presidenciais de outubro se aproximam, comentou Rafael Marques, presidente-executivo da Philos Invest. "No entanto, como outras variáveis estão trazendo ruídos para os mercados, como uma inflação global mais pressionada, alta dos juros nas principais economias, lockdown na China e guerra entre Rússia e Ucrânia, o risco eleitoral está diluído entre esses outros vetores."

Com o desempenho desta segunda-feira, o dólar passou a acumular queda de apenas 4,46% em 2022, mais de 15% acima do menor patamar para encerramento do ano, de 4,6075 reais, atingido no início de abril.

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