Mercado fechado

Dólar fecha em alta ante real, mas não sustenta máximas pós-Fed

Cédulas e moedas de dólares dos EUA em cofre em um banco em Westminster, Colorado, EUA

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar subiu frente ao real nesta quarta-feira, mas encerrou a sessão bem abaixo dos picos do dia, depois que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, elevou sua taxa de juros na magnitude esperada pela grande maioria dos mercados.

A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 0,39%, a 5,1739 reais, bem distante da máxima do pregão, quando saltou 0,80%, a 5,1950 reais.

Na B3, às 17:05 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,51%, a 5,1845 reais.

Os maiores patamares do dia foram alcançados pouco depois de o Federal Reserve elevar sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para um intervalo de 3,00% a 3,25%, e sinalizar outros grandes aumentos em novas projeções, que mostram os custos dos empréstimos subindo para 4,40% até o fim deste ano, antes de atingirem 4,60% em 2023.

A reação inicial negativa dos mercados globais refletiu surpresa com as previsões econômicas do Fed, que pintaram um cenário monetário mais restritivo do que muitos economistas esperavam para os próximos meses, disse à Reuters Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

No entanto, continuou o especialista, investidores se tranquilizaram um pouco com o discurso do chair do Fed, Jerome Powell, feito em coletiva de imprensa após a decisão do banco.

Embora Powell tenha reforçado o posicionamento combativo do Fed em relação à inflação, não se desviou muito de mensagens anteriores da autoridade monetária, o que jogou a favor de uma recuperação de ativos arriscados em relação às mínimas do dia, avaliou Izac.

Também colaborou para esse movimento o fato de o "pior dos cenários" possíveis --um aumento de juro de 1 ponto percentual pelo Fed, que era esperado por pequena parcela dos mercados-- não ter se concretizado.

No exterior, um índice que mede o comportamento do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes disparava 1% nesta tarde, a 111,29, mas estava abaixo do pico do dia, quando foi a 111,63, maior nível em duas décadas.

Ao longo dos próximos dias, agentes financeiros continuarão digerindo o comunicado de política monetária do Fed, o que pode manter o mercado de câmbio local sobre alguma pressão, alertaram especialistas.

"EUA com juros mais altos atraem mais capital do mundo todo, sobra menos dinheiro para emergentes como o Brasil. Isso costuma levar a depreciação no câmbio", disse Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos. "A decisão de hoje não foi tão desalinhada em relação ao que o mercado esperava... mas a direção é essa."

Agora, o foco passa para o Banco Central do Brasil, que conclui sua reunião de política monetária ainda nesta quarta e comunica o desfecho a partir de 18h30.

A taxa Selic está atualmente em 13,75%. A maior parte dos mercados financeiros acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC já encerrou o ciclo de aperto, mas há quem espere que o colegiado eleve os juros em mais 0,25 ponto percentual, a 14%, ao fim do encontro desta quarta-feira.

Izac destacou que um nível alto dos juros no Brasil tende a ser positivo para o real, já que torna a moeda mais atraente para estratégias de "carry trade" --tomada de empréstimo num país de taxas baixas e investimento desse capital em mercado mais rentável.

A alta do dólar nesta sessão veio após dois pregões consecutivos de perdas, período em que a divisa norte-americana acumulou baixa de 2,04%.

(Edição de José de Castro)