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Dólar encerra semana estável após superar marca histórica

Marcelo Osakabe

No encerramento desta sexta-feira, o dólar era negociado a R$ 4,1918, queda marginal de 0,04% Após registrar novo recorde histórico de fechamento na segunda-feira, encerrando acima dos R$ 4,20 pela primeira vez no Plano Real, o dólar não teve força para confirmar a tendência de alta no Brasil e encerrou estável na semana, que foi marcada por noticiário relativamente leve no âmbito local e ainda refletindo o vai e vem da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

No encerramento desta sexta-feira, o dólar era negociado a R$ 4,1918, queda marginal de 0,04%. Na semana, a queda acumulada foi de 0,02%.

A falta de gás para se manter acima dos R$ 4,20 mostra que esse é um importante nível para a moeda americana no Brasil, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho no Brasil. “Testamos várias vezes os R$ 4,20, mas fechamos acima dele apenas uma vez na semana”, lembra o profissional.

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

Rostagno observa que a moeda brasileira foi pressionada, nas últimas semanas, por uma combinação que envolveu as crises políticas em países da região e pelo vai e vem da guerra comercial. Com a saída desses fatores de cena, está aberto o espaço para uma recuperação da moeda brasileira.

“A economia brasileira dá sinais de melhora, ainda que gradual, e expectativa é que agenda de reformas continue avançando”, diz. “O Brasil é um dos poucos emergentes que avança em agenda estrutural e dados econômicos sugerem que o país começa ciclo virtuoso de crescimento.”

Desde que rompeu os R$ 4,20 na segunda-feira, o dólar tem sido negociado em uma banda relativamente estreita. "O dólar rompeu as máximas de agosto e se aproximou dos picos vistos em janeiro de 2016, entre R$ 4,2164 e R$ 4,23. Um recuo vem sendo registrado desde então", dizem analistas grafistas do Société Générale em relatório. O banco francês vê suporte em R$ 4,16 e resistência em R$ 4,25 como os próximos objetivos.

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O mesmo comportamento tem sido notado em outras divisas, o que tem sido observado por analistas de diversas casas. Uma das razões apontadas é a falta de definição sobre a fase 1 do acordo comercial. Apesar das declarações mais amenas dadas por ambos os lados nos últimos dias, o Commerzbank não enxerga, no momento, pressa para assinar o acordo. "No fim das contas, o que vemos é pouco progresso nas negociações, como se ambos os lados estivessem contentes em um novo adiamento da fase 1 do acordo”, dizem analistas do banco.

“Relatos de midia indicam que a China quer uma nova rodada de negociações na próxima semana, em Pequim”, diz o banco alemão. “Ou seja, a bola está de novo nas mãos dos americanos. Se eles estarão dispostos a conversar novamente é um tópico interessante a ser observado nos próximos dias. Caso contrário, o mercado de câmbio poderá ficar um pouco monótono com a falta de novos drivers.”