Mercado fechará em 6 hs

Dólar sobe quase 3% e vai a R$ 5,30 em dia de busca por proteção global

Lucas Hirata e Marcelo Osakabe

Além de receio de nova onda de casos de covid-19 em países que começaram reabertura, relato de novas tarifas dos EUA sobre itens da UE preocupa investidores Os mercados globais sofrem hoje com uma forte aversão ao risco que leva os investidores a buscarem, de forma intensa, a proteção do dólar. Por aqui, o movimento se intensifica desde cedo e leva a cotação da divisa americana para quase R$ 5,30, em um avanço próximo de 3%.

O salto chega a ser mais acentuado que o observado nos principais mercados globais – padrão de volatilidade que tem se habituado no Brasil – e reverte boa parte da queda dos últimos dias por aqui.

Às 13h, o dólar era negociado em alta de 2,89%, a R$ 5,3005, depois de tocar R$ 5,3200 na máxima do dia. Com isso, o real tem o pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas do mundo. O peso mexicano, segundo pior colocado, se desvaloriza cerca de 1,40%. Vale lembrar, por outro lado, que a moeda americana acumulou queda de 4,09% contra o real nos últimos três pregões.

Apesar do movimento intenso, profissionais de mercado comentam que ainda não parece ser o caso de o Banco Central voltar a intervir no câmbio, seja com oferta líquida de swap ou venda de dólares à vista. Isso porque o mercado ainda está tentando buscar um patamar de equilíbrio, mas não chega a entrar numa espiral de disfuncionalidade por ora.

O que está por trás da busca por proteção é o receio de uma segunda onda da covid-19 pelo mundo. Mas há também apreensão com a situação comercial, após a agência Bloomberg noticiar que a Casa Branca avalia taxar US$ 3,1 bilhões em produtos da França, da Alemanha, da Espanha e do Reino Unido.

Em relação ao Brasil, os dados do setor externo vieram mistos. De um lado, o superávit em transações correntes de maio ficou em US$ 1,326 bilhão, menos da metade dos US$ 3,1 bilhões estimados pelo Banco Central. Já o investimento direto no país (IDP) foi a US$ 2,552 bilhões, contra US$ 1,5 bilhão da estimativa.

Separadamente, o FMI divulgou a atualização das suas projeções econômicas para este ano. O fundo agora espera que a contração do Brasil em 2020 chegue a 9,1%, ante -5,3% da estimativa anterior. A projeção para a queda do PIB mundial passou de 3,0% para 4,9%.

Como reflexo desse cenário, os contratos de juros futuros devolvem praticamente toda a queda registrada na véspera.

Por volta das 13h, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 avançava a 2,045%, de 2,035% no ajuste anterior; o DI janeiro/2022 subia de 3,01% para 3,05%; o contrato para janeiro de 2023 passava de 4,11% para 4,18%; e o DI janeiro/2025 subia de 5,81% para 5,91%, mesmo patamar do fechamento de segunda-feira.

AP Photo/Mark Lennihan, File