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Dólar salta 1% e supera R$5,60 com fiscal e após Copom; juros longos sobem

·2 min de leitura
Notas de dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar tinha firme alta contra o real nesta quinta-feira, mesma direção da inclinação da curva de juros, horas depois de o Banco Central confirmar aceleração no ritmo de elevação da Selic, enquanto no exterior a manhã era mais negativa para moedas emergentes.

O imbróglio em torno da PEC dos precatórios --com a qual o governo e a equipe econômica contam para financiar mais gastos sociais-- pressionava os ativos nesta manhã. A votação na Câmara dos Deputados, que deveria ter sido iniciada ainda na quarta, foi novamente adiada e pode ficar para esta quinta --de toda forma, intensificando as incertezas fiscais.

O dólar à vista subia 1,03%, a 5,6123, às 9h29. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento ganhava 1,34%, a 5,6135 reais, perto da máxima de 5,6160 reais já alcançada no intradia.

Analistas do Barclays já previam "decepção" para investidores no mercado de câmbio relacionada à decisão do Copom.

"Acreditamos que parte do recente retrocesso do dólar ante o real foi impulsionada pelas expectativas de um aumento maior dos juros (ou seja, aumento do 'carry'). É provável que o real seja negociado um pouco mais fraco na abertura do mercado, seguindo a queda inicial dos juros (curtos)", acrescentou o banco em relatório.

Na esteira dos últimos acontecimentos, o Credit Suisse piorou sua estimativa para a taxa de câmbio. "Continuamos pessimistas em relação ao real e revisamos nossa meta para cima de 5,65 reais para 5,80 reais", disse o banco em nota.

"Ralis do dólar para máximas do primeiro trimestre em torno de 5,88 reais provavelmente encontrarão resistência na forma de intervenção cambial agressiva do BCB", ponderaram profissionais da instituição.

Na renda fixa, o movimento nas taxas de juros dos contratos de DI apontava aumento de inclinação, com os vencimentos longos em alta, enquanto os vértices de curto prazo cediam após o Bacen promover um aperto monetário menor do que o embutido nos preços dos derivativos.

O spread entre os DIs janeiro 2027 e janeiro 2022 saltava 29,2 pontos-base, com a inclinação perto de 380 pontos-base.

A taxa do contrato para janeiro 2023 --que concentra apostas para os rumos da Selic entre hoje e o fim de 2022-- tinha leve alta de 2 pontos-base, suficiente para indicar que o mercado não vê juro terminal mais baixo apesar do endurecimento do ritmo de aperto monetário.

No exterior, um índice de moedas emergentes caía 0,17%, com investidores atentos a decisões de política monetária e a sinais de tensão entre Estados Unidos e China.

(Por José de Castro; Edição de Maria Pia Palermo)

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